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Por um país mais politizado

 

Falar de política não é fácil, especialmente no Brasil. Historicamente somos passivos às mazelas dos nossos governantes. Nossa formação histórica, sociológica e política, de modo geral, está muito aquém de um povo que tem potencial de construir uma grande nação. Diante desse contexto, nada mais oportuno que uma pauta sobre geopolítica.

Para confirmar a minha tese, o termo por si só deve ter gerado estranheza de alguns leitores, assim como gerou em alguns entrevistados e articulistas. Previsível. Não estamos familiarizados a tratar o tema com profundidade nem na escola e em casa e, por conseqüência, na mídia também não. Esse “analfabetismo político” foi o primeiro desafio dessa edição e a grande justificativa da mesma. Os artigos refletem, em geral, a dificuldade dos alunos em contextualizarem personalidades políticas a partir de posturas ideológicas e processos históricos. Isso depõe contra a edição? Penso que não, retrata uma realidade que a própria edição tenta mudar, introduzir alunos e leitores na discussão política.

Daí sobrou para o pessoal da reportagem tentar definir termos e despertar no leitor a “fome” pela edição, e conseguiram. Procuraram simplificar conceitos como de “esquerda”, “direita” e “centro”, além de, ainda que superficialmente, identificar o estereótipo de cada um dos governantes na cobertura da imprensa brasileira. Outro ponto positivo foi ter tocado numa questão nevrálgica que é a carência de correspondentes internacionais in loco dos veículos nacionais. Como sugestão, faria um Box, com a foto de todos os presidentes apresentados e a identificação de como são tachados pela mídia. Tornaria a questão um pouco mais panorâmica e didática.

A entrevista com Caio Blinder foi outro ponto forte da edição, pelo currículo do entrevistado e por questões muitos importantes ali respondidas. Uma delas, sobre o uso sensacionalista que a mídia faz da figura de Hugo Chávez e do interesse do líder venezuelano nessa caricatura. Outro aplauso fica para o artigo “A Guerra Fria ainda não acabou”, que, ao contrário da maioria das outras matérias, apresentou dados mais concretos, como várias referências a edições dos impressos e telejornais, além de uma leitura mais atenta à diagramação e fotos dos jornais e revistas observados.

Palmas também para a resenha do filme sobre a monarquia inglesa, porque descreveu o enredo do filme sem perder de vista a relação entre a mídia, governo e opinião pública, além de tocar na questão da própria responsabilidade da imprensa na relação desta com as personalidades políticas. Por fim, a seção “O que aconteceria se...” trouxe uma crítica interessante sobre a invasão americana ao Iraque, ao cogitar se os Estados Unidos fizessem o mesmo na Venezuela para derrubar Chávez.

A gente fica por aqui. Aguardo a sua participação para pautarmos a nossa reunião de avaliação interna. Pegue o vôo (sem atraso) dessa edição, e até a próxima!


Wendel Lima
ombudsman@unasp.edu.br