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Em nome do amor

Cígredy Neves

Um jovem estudante que sonhava ser ator, poeta e escritor assiste à invasão da sua pátria pelo exército nazista. Esse era Karol Wojtyla, que aos 18 anos presenciou as conseqüências da Segunda Guerra Mundial na Polônia. No conflito, perdeu o único parente próximo que estava vivo, o pai, e grande parte dos amigos. Pouco depois, decidiu se dedicar à vida religiosa.

É esse contexto de sofrimento e dedicação que o diretor Giacomo Battiato apresenta na película Karol, o homem que se tornou Papa , lançada em 2005. Apesar de não ser um documentário, o filme inclui nos diálogos muitas palavras e frases que o papa usava em seus escritos.

Com um orçamento de 15 milhões de euros, equivalentes a 49,5 milhões de reais, a ficção é baseada no livro Storia di Karol , do escritor e jornalista Gian Franco Svidercoschi. E tem por finalidade principal mostrar a vida de um homem simples que se tornou um dos papas mais prestigiados entre as pessoas. Esse objetivo é completado com a trilha sonora, composta e dirigida por Ennio Morricone, que leva o público a sentir as emoções dos momentos vividos por Karol.

Interpretado pelo ator polonês Piotr Adamczyc, Wojtyla é retratado como um homem sensível, que sofre com os horrores da guerra e não suporta mais ver todas essas tragédias. Determinado a fazer algo em prol do bem da humanidade, ele se tornou padre em 1946. Essa foi a forma que encontrou de espalhar o amor e amenizar os sofrimentos e angústias do povo.

Pouco tempo depois, ele atuou como padre em Cracóvia, ao mesmo tempo em que dava aulas de Ética na Universidade Católica de Lublin. Nesse período, o comunismo invade a Polônia. Ao ver os seus alunos revoltados e prontos a contra-atacar, ele relata o momento em que conheceu um homem sábio durante a dominação nazista no país.

No filme, Wojtyla revela: “Ele me disse: ‘Venceremos com amor, não com armas (...). Os nazistas sumirão porque o mal se autodestrói. Mas se o amor não vencer, os nazistas voltarão com outro nome”. O padre continua incentivando os jovens a não se envolverem com a violência. “Não se sacrifiquem hoje. Mostrem amor pela vida. Um amor que eles não conhecem. Sejam testemunhas da santidade de cada vida. Protestem pacificamente”.

O papa Bento 16 falou sobre a projeção do filme num discurso, que se encontra no site oficial do Vaticano. De acordo com ele, a película reforça o exemplo que seu antecessor deu à humanidade. “Formulo votos a fim de que, graças também ao testemunho do papa João Paulo II, evocado por esta magnífica produção cinematográfica, seja reavivado em todos o propósito de atuar, cada um no setor que lhe é próprio e segundo as suas possibilidades, ao serviço de uma decidida ação de paz na Europa e no mundo inteiro”.

Karol, o homem que se tornou Papa fala de um jovem que virou herói para o povo polonês. Com sua tremenda coragem, ele enfrentou os desafios de uma nação em guerra e mostrou para a população que o amor pode resolver os problemas. Como as pessoas da pós-modernidade são envolvidas pelo sentimentalismo, o discurso de Karol foi direto ao encontro de suas necessidades. E a película retrata muito bem como ele se transformou num dos papas mais jovens, mais populares e amados pela população mundial.

 

Ficha técnica:

Título no Brasil: Karol – O homem que se tornou Papa

Título original: Karol, um uomo diventato Papa / Karol – a man Who became Pope

País de origem: Itália

Gênero: Drama

Classificação etária: 16 anos

Tempo de duração: disco 1 (187min) e disco 2 (125min)

Ano de lançamento: 2005

Estúdio/Distribuidora: Universal

Direção: Giacomo Battiato

Produção: Pietro Valsecchi

História: Pietro Valsecchi

Roteiro: Giacomo Battiato

Co-escritor: Carmelo Pennisi

Editor de história: Gino Ventriglia

Trilha sonora: Pawel Luczyc-Wyhowski

Figurino: Malgorzata Zacharska

Cenografia: Janusz Sosnowski

Diretor de fotografia: Gianni Mammolotti A.I.C.

Editor: Alessandro Heffler

Primeiro diretor assistente: Roy Bava

Diretor de elenco: Anna Zaneva

Composição e direção da música original: Ennio Morricone

Gerente de produção: Emanuele Emiliani

Produtor executivo: Camilla Nesbitt

 

Elenco:

Piotr Adamczyk (Karol Wojtyla)

Malgosia Bela (Hania Toni Bertorelli)

Raoul Bova (Tomasz Zaleski)

Matt Craven (Hans Frank)

Grazyna Szapolowska (Esposa de Frank)

Ken Duken (Adam Zielinski)

Ennio Fantastichini (Nowak)

Olgierd Lukaszewicz (Pai de Karol)

Lech Mackiewicz (Wyszynski)

Radoslaw Pazura (Pawel)

Violante Placido (Maria Pomorska)

Hristo Shopov (Julian Kordek)

Kenneth Wesh (Professor Wójcik)