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Na medida do possível |
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| Dayse Hálima |
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A visita do papa Bento 16 ao Brasil teve muitas finalidades. Ao escolher o Brasil para sediar a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, o pontífice quis levar o povo brasileiro à consciência do que realmente é o catolicismo. Sua visita ao país com o maior número de fiéis católicos não se restringiu a um único aspecto. O papa veio ao Brasil para fazer política, para tratar de assuntos sociais e fazer o povo a aceitar as doutrinas da Igreja. Bento 16 é conhecido por sua rigorosidade, por ser conservador e por não ter a preocupação de ser "politicamente correto". Bento não se preocupa em dizer o que pensa e nem a maneira com que vão reagir às suas decisões. Ratzinger não quer uma igreja cheia de fiéis. A identidade católica e a qualidade desses fiéis é mais importante que a quantidade de pessoas e os resultados das vitórias políticas alcançadas pala igreja. A revista Época publicou matérias e reportagens que tratavam da visita do papa Bento 16 ao Brasil, como também das medidas que ele tomou antes de vir ao País. Em alguns momentos, fez comparações entre ele e seu antecessor, João Paulo II. O semanário trata Ratzinger como um homem rude que tem todos seus subordinados nas mãos. Usando títulos como "O novo homem do papa" e "A voz forte de Bento 16", associados a fotos do papa em posições imponentes, a revista agrega à imagem do pontífice uma pessoa decidida e que não se preocupa se vai criar uma imagem negativa junto a outras pessoas. O papa político Ainda no ano em que foi eleito pontífice, Bento decidiu que a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho seria sediada no Brasil. Para ele, a conferência tinha que acontecer no país de maior população católica do mundo. Decisão que, certamente, o deu mais credibilidade em meio aos católico. A Época , na edição 469, falou sobre a tentativa do papa em fazer com que o governo brasileiro vinculasse Estado a religião. Sua tentativa foi fracassada; só cumpriu cenas de protocolo ao se encontrar com o presidente Lula. Para a Época (edição 462), a escolha do novo arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, indica a intenção do pontífice: ter um "representante legítimo de outro tipo de igreja. É a igreja de Bento 16: clara na afirmação de seus princípios, ortodoxa e influente nos rumos da sociedade". O papa que resgata a doutrina católica A Época disse que "dois anos depois de eleito, Bento 16 já deixou claro que não está em guerra" (edição 461). “Quer ser um mestre, não um general", mas "tem um programa muito claro de levar a igreja a um papel de protagonista". Bento defende a presença da igreja no espaço público, pois quer que ela influencie o mundo moderno. No Brasil, para ele, o relativismo e a indiferença religiosa se manifestam na proliferação das igrejas pentecostais. E contra esses males, o pontífice quer católicos mais firmes e mais bem formados. O principal desafio do papa no Brasil é falar para uma legião de jovens que se dizem católicos, mas não seguem à risca as doutrinas da igreja. Acostumados à liberação sexual, se vêem diante de normas que vão contra suas decisões. Joseph Ratzinger defende veemente o rigor da liturgia, o latim nas missas e o celibato clerical; condena o uso de camisinha, o casamento gay e as pesquisas com células de embriões e afirma que o segundo casamento é uma "praga". Bento veio ao Brasil. A Época noticiou o antes, o durante e o depois da visita. Deixou a desejar. Apresenta uma linha desconexa. Horas um "papa bom", horas um "papa chatinho". Faltou informação. Mas, na medida do possível, levou o leitor a saber o que o papa veio fazer no Brasil. Talvez a próxima visita do pontífice ao País e seus desejos quanto aos católicos brasileiros ganhem maior destaque nas páginas da Época . |
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