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| Mulher maravilha |
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| Míriam Lopes |
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Em países desenvolvidos, um terço das crianças e 10% dos adultos internados são vitimas de doenças genéticas como diabetes e câncer. Só no Brasil, 20% das mortes de bebês de até um ano estão relacionadas a fatores nos genes. Aproximadamente 80.000 crianças brasileiras têm alguma distrofia, e cerca de 160.000 adultos padecem de doenças neuromusculares de origem genética. Pioneira no estudo das doenças, a professora Mayana Zatz, titular de genética do departamento de biologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, nasceu em Israel em 1947, morou até os 7 anos na França e chegou ao Brasil em 1955. Ela também é a atual presidente da Associação Brasileira de Distrofia Muscular (Abim) e coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano, maior pólo de investigação de problemas genéticos do Brasil. Mayana é formada em Biologia pela Universidade de São Paulo em 1968, com pós-doutorado em Genética Médica pela Universidade da Califórnia (Ucla), em 1977. A professora passou a ter interesse pelo estudo das distrofias musculares na época da faculdade, no período em que acompanhou o caso de uma mulher com várias incidências hereditárias da doença. Casada durante trinta anos, separada há sete, é mãe de dois filhos e hoje é membro de um projeto mundial de Genoma Humano, da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e também da Academia Brasileira de Ciências. Atualmente Mayana busca compreender os mecanismos que causam a distrofia muscular progressiva, um mal hereditário que provoca a degeneração da musculatura. Ela já localizou três genes acoplados às distrofias, além de pesquisar proteínas e enzimas ligadas ao problema, estuda outras doenças genéticas. Aproximadamente 16.000 pessoas de famílias atingidas por problemas neuromusculares já foram atendidos pela doutora desde que começou sua trajetória. O prestigio Considerada corajosa por começar um trabalho numa época em que a ”biologia molecular era um conceito distante", a bióloga é vista como uma pessoa dedicada que exaustivamente se concentra no estudo da genética. Além de “aplicar muito bem” seus conhecimentos na área científica, é intitulada “capaz” por apresentá-los à comunidade. Uma das principais defensoras do projeto e da liberação das pesquisas com células-tronco do cordão umbilical para o tratamento de doenças degenerativas, a professora já tem mais de 182 participações em eventos, 13 prêmios e títulos. Ela ficou reconhecida internacionalmente por sua pesquisa com distrofia muscular, além de tornar-se referência nacional nas questões ligadas à pesquisa genética e de assumir um papel preponderante na discussão pública que acabou levando à aprovação da Lei de Biosegurança. Assim como nem Jesus Cristo conseguiu agradar a todos, com Mayana não foi diferente, prova disso foi um artigo publicado no Observatório da Imprensa pelo jornalista Luiz Weis, cujo titulo é “O procurador franciscano e a bióloga judia”. No artigo, a bióloga é identificada como uma chantagista emocional, pela forma dramática com a qual ela se expressa em favor dos portadores de doença que, segundo ela, “ representam um drama enorme que a população desconhece”. Em meio a tantos rolos neste enredo, somente a boa vontade e o esforço da professora são vistos. O resto fica de pano de fundo do cenário, que ainda não tem todos os papéis definidos. Enquanto isso continua a briga entre o possível e o extraordinário na ciência. |
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