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Assassino de clones: algum problema?

André Leite

Após um turbulento pesadelo, em que se mesclam um afogamento, imagens de uma criança comemorando seu aniversário e um senhor de óculos dizendo “você é especial”, Lincoln Six Echo acorda em sua cama e recebe os cumprimentos de “bom dia” de uma máquina. Nesse clima futurista e um pouco confuso começa “A Ilha”. O filme é dirigido por Michael Bay, conhecido pelas impressionantes cenas de ação em produções como Armageddon e Bad Boys, e estrelado por Ewan McGregor (Moulin Rouge) e Scarlett Johansson (Moça com Brinco de Pérola).

A trama se passa no ano de 2019. Supostamente, o planeta foi contaminado por um vírus mortal que eliminou quase toda a humanidade. O último refúgio e esperança para os humanos é “a Ilha”, um lugar que todos aqueles que ainda vivem esperam um dia habitar: basta ganhar na loteria que sorteia as vagas para esse paraíso. Enquanto esperam, os supostos sobreviventes vivem em uma espécie de bunker high-tech, onde há academias, restaurantes, piscinas, escolas e médicos.

Aparentemente, até o próprio bunker parece ser um lugar muito aprazível para ser viver, a não ser por um detalhe: o ambiente, na verdade, é uma espécie de matadouro bem equipado. Ali, os “humanos sobreviventes” na verdade não sobreviveram a nada. Não houve contaminação, e, finalmente, eles não são sequer humanos, são clones. Clones que têm como finalidade ceder seus órgãos para os originais no mundo real, caso venham a precisar.

Quem descobre essa realidade é um dos clones: Lincoln Six Echo, aquele que teve o pesadelo incomum no início do filme. Incomum também é seu comportamento, porque, segundo os médicos que criaram todo o complexo de clonagem, as réplicas, apesar de terem a mesma idade de seus originais, poderiam ter uma idade mental limite de um humano de 15 anos, além de não possuírem comportamentos como a curiosidade. Six Echo contraria todas as expectativas e consegue fugir do bunker com sua amiga Jordan Two Delta.

  Tiros, explosões e quedas

A partir do momento em que os clones fogem de sua prisão high-tech, as perseguições e cenas de ação começam. Mercenários são contratados para capturar os fugitivos e sobram tiros, explosões, batidas, corridas de carro em alta velocidade e quedas de mais de 70 metros. O filme praticamente faz uma pausa em sua linha de raciocínio, que até então, parecia prezar por uma discussão mais interessante sobre as questões éticas da clonagem. Os únicos debates que ainda restam são algumas falas de Six Echo e Two Delta sobre o direito de um clone viver, já que tem sentimentos, pensa, enfim, é como um ser humanos comum.

O filme perde a oportunidade de debater mais profundamente os assuntos que se dispõe a desenvolver em seu roteiro. Michael Bay preferiu, como é de seu comportamento, prezar por cenas com muita testosterona e adrenalina. Apesar de ficar devendo no desenvolvimento intelectual, A Ilha é um bom filme para se assistir acompanhado de um saco de pipocas, além de criar um estimulo inicial para uma discussão mais bem argumentada sobre clonagem e ciência.

No entanto, um bom título para aqueles que buscam um filme com mais conteúdo argumentativo sobre genética e clonagem, Gattaca – A experiência Genética, proporciona essa discussão. A produção é relativamente antiga, de 1997, mas o tema permanece atual, até mais que há 10 anos.

Ficha Técnica

Título Original: The Island
Gênero: Ficção Científica
Tempo de Duração: 127 minutos
Ano de lançamento: 2005
Direção: Michael Bay
Roteiro: Alex Kurtzman, Roberto Orci e Caspian Tredwell-Owen

Elenco

Ewan McGregor (Lincoln Six Echo/Tom Lincoln)
Scarlett Johansson (Jordan Two Delta/Sarah Jordan)
Djimon Houson (Albert Laurent)
Sean Bean (Merrick)
Steve Buscemi (McCord)
Michael Clarke Duncan (Starkweather)