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Folha fácil |
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| Miguelli Simioni |
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Depois da Idade Média, mais conhecida como Idade das Trevas, a ciência alcançou sua liberdade e virou a fonte do conhecimento mundial. Os cientistas, que antes eram taxados de seguidores do diabo, passaram a ser considerados os novos deuses da sabedoria. Além disso, atos como o aborto, que eram imperdoáveis para a sociedade antiga, atualmente estão legalizados em alguns países. Esta mudança do conceito popular recebeu ajuda dos meios de comunicação, que, por meio de reportagens, matérias e entrevistas, reformularam esses conceitos sobre a vida. Um exemplo dessa influência são as matérias sobre aborto, clonagem e células-tronco publicadas na Folha de S. Paulo, que, diferentemente do Estadão, tem uma linha editorial mais liberal. Ao noticiar sobre clonagem e células-tronco, a Folha adota um viés positivo em relação às pesquisas científicas. Publica um número maior de matérias referentes aos benefícios e qualidades das experiências do que notícias descrevendo seus malefícios e defeitos. Títulos como “Cientistas criam válvulas cardíacas a partir de células-tronco” ou “Cientistas desenvolvem nova técnica de tratamento da artrose” exemplificam a postura do periódico. A Folha fez a lição de casa ao conseguir descrever os assuntos tecnológicos em uma linguagem simples e de fácil entendimento para o leitor comum. A linguagem utilizada nos cadernos de ciência é descritiva e objetiva, facilitando a compreensão dos assuntos abordados, apesar de muitos temas serem altamente técnicos, o que dificultaria uma espécie de tradução. Exemplo disso é a reportagem publicada em 2 de abril de 2007, onde o veículo fez uso da frase: “ Células-tronco têm o potencial de se transformarem em vários tipos diferentes de células”. Em vez de escrever os nomes de cada célula para explicar o novo progresso da biociência, a Folha escolheu palavras simples e de fácil entendimento como “vários tipos diferentes de células” para transmitir uma informação importante. Essa frase, além de chamar a atenção do leitor para o assunto, aproxima o mundo científico da vida cotidiana do leitor. Aborto sutil Quando o assunto é mais polêmico, como é o caso do aborto, a Folha se mostra novamente mais liberal. A matéria publicada no dia 6 de maio de 2007 afirma que “a imprensa nacional faz uma campanha maciça pela descriminalização do aborto no Brasil”. A partir de uma pequena análise é possível perceber que a afirmação não é verdadeira, já que muitos veículos publicam um número maior de matérias desfavoráveis ao aborto (ver análise de O Estado de São Paulo nesta edição). Talvez alguns editores da Folha não imaginaram a hipotética situação de uma adolescente que pode estar vivenciando uma gravidez precoce. Saber que há um possível apoio da mídia em relação ao aborto pode incentivá-la a procurar uma clínica clandestina e medicamentos que a ajudem a se desfazer do feto. Matérias como “Buenos Aires prepara hospitais para abortos” aparentemente dão crédito ao método abortivo, pois fazem uma ligação entre o método e os hospitais, que são instituições que transmitem segurança e confiança. Em verdade, isso pode fortalecer uma postura ilegal, já que a Argentina não é o Brasil, e o Estado brasileiro condena o aborto. Reportagens como essas têm uma tendência sutil, mas, ao divulgar a preparação dos hospitais argentinos para receber operações de aborto, é como se o jornal dissesse: “Ei, nossos vizinhos estão sendo mais inteligentes e liberais. Não vamos ficar atrás”. Uma postura não muito legal por parte da Folha. |
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