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O Brasil foi feito pra isso

 

 

O século 20 foi dominado por consumidores de cultura passivos. O estereótipo é aquele típico americano sentado na sala, imóvel e indefeso diante da televisão. Mas para o advogado e professor de Direito da Universidade Stanford, nos EUA, Larry Lessig acredita que vivemos uma nova fase: a de consumidores criadores. Para quem ficou famoso por mover um processo contra práticas de monopólio da Microsoft em 1998 e criador do Creative Commons (CC), uma nova espécie de licenciamento de produtos e idéias na rede, ninguém duvida de suas predições quanto ao futuro da sociedade na chamada era da cibercultura.

Em uma breve (mas breve mesmo!) entrevista por e-mail, Lessig fala sobre a importância do CC no século 21 e a adequação da cultura brasileira a essa iniciativa inovadora. Idealizador de uma internet menos capitalista e mais colaborativa, Lessig também responde, não muito feliz, às acusações de que o CC é tão somente mais uma maneira de se ganhar dinheiro. Foram apenas duas perguntas, mas em se tratando de Larry Lessig, o Canal “abre” uma exceção...

Canal da Imprensa – O Brasil é um país de grande diversidade cultural. De que maneira o Creative Commons iria influenciar esse tipo de sociedade?

Larry Lessig – As tecnologias digitais abriram um grande panorama de oportunidades criativas . CC oferece aos criadores um caminho simples para proteger alguns de seus direitos enquanto encoraja outros a construir e compartilhar seu trabalho. A cultura brasileira é, por natureza, feita para esse tipo de energia criativa.

CI – Quais são os prós e contras do CC para a economia global? Alguns dizem que o CC faria o modelo tradicional de negócios ir à falência.

LL - Eu não concordo com isso. CC é primeiramente escolhido por um tipo de criador que não está interessado em fazer dinheiro com seu trabalho. Em segundo lugar, CC ajuda autores e artistas que querem encorajar as pessoas a compartilharem seu trabalho não comercialmente, mas querem manter os direitos comerciais. E terceiro lugar, CC ajuda profissionais e artistas que querem experimentar novas e diferentes maneiras de difundir seu trabalho. Nenhuma dessas inovações fere os negócios existentes.