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Serviço econômico

Cígredy Neves

“Jornalismo é o discurso que se destina ao atendimento do direito à informação”. A frase dita certa vez pelo jornalista Eugênio Bucci se aplica em todas as áreas da comunicação. Uma delas é a economia. Cabe a esses profissionais a transformação das informações econômicas em termos compreensíveis ao leitor comum, que não possui muito conhecimento do assunto. Esse deve ser o objetivo principal de cada jornal do Brasil.

Um dos maiores periódicos do País, O Estado de S.Paulo também tem essa visão. E o faz de maneira simples e direta no caderno Economia: mostra ao seu público-alvo a situação das finanças em nível nacional e internacional e quais rumos elas podem tomar, porém, do ponto de vista do jornal.

Na edição do último domingo (23/09/07), foi possível analisar uma quantidade significativa de matérias do caderno que traziam inúmeras informações implícitas. Vale ressaltar que algumas reportagens alertam e despertam o interesse do leitor, por atingir diretamente o seu bolso, como “Comércio aposta em crescimento de 15% nas vendas de fim de ano” e “Seringais reinventam o ciclo da borracha”.

Entretanto, as demais trazem um leque de acusações e denúncias do governo federal, deixando clara a posição editorial do jornal. De maneira geral, o caderno pende mais para o lado político. As discussões giram em torno do que os líderes fazem pela economia do País. Um exemplo disso é a matéria “Obras do PAC sob ataque da Justiça”. Só a manchete já indica a situação em que o governo se encontra. Mas no decorrer da matéria, isso é ainda mais acentuado. Este trecho insinua o trabalho mal feito dos governantes: “As disputas judiciais são apenas um item da lista de dificuldades dos investimentos públicos no País, que seguem em ritmo lento”.

E não pára por aí. Nesse mesmo caderno de domingo, manchetes como “Metade do Brasil não tem esgoto”, “No Brasil, existe a cultura do litígio”, “Quem estabilizou a economia” e “Ameaça ou oportunidade?” mostram ao leitor a situação econômica do País. Porém, mais do que isso, o incita a julgar as ações do governo e considerá-lo como o principal causador da crise atual. Se é verdade, pode até ser que sim. Mas o papel do jornal, por mais que seja considerado ‘impossível' por muitos, é ser imparcial. Deve denunciar mesmo as falcatruas dos políticos, mas deve também trazer ao leitor, alternativas para que ele desenvolva uma independência financeira.

Já a edição de terça-feira (25/09/07) traz uma visão mais otimista. Ela não abrange tanto o lado político e sim, as alterações no mercado financeiro e como isso afeta o povo. Títulos como “Bolsa supera recorde anterior à crise” e “Investidor zera prejuízo e comemora” refletem exatamente a satisfação do brasileiro em relação à melhora das finanças.

Comparando essas duas edições percebe-se o seguinte: a diagramação de ambos e a quantidade de infográficos com certeza atraem a atenção do seu público, contudo, não são somente os elementos gráficos que irão influenciar a vida do brasileiro comum. Para os que não têm visão crítica e só digerem notícias publicadas em grandes jornais como este, pode ser muito mais fácil aderir à idéia dos mesmos sem fazer uma análise de todas as questões envolvidas.

Em prol do crescimento

Falar de economia para a população é uma tarefa complicada para os jornalistas. Apesar disso, a revista Estadão Investimentos consegue transmitir os conceitos econômicos não só para o público especializado, mas para a população geral – é importante salientar que mesmo assim, o ‘povão' não se interessa por esse tipo de leitura.

A revista propõe sugestões aos seus leitores de como crescer financeiramente. E o faz com ilustrações e infográficos, explicando os termos técnicos para facilitar a compreensão. A reportagem “É hora de pegar a chave”, publicada na edição de agosto de 2007, contém até um glossário com as informações técnicas. E diversos temas que atingem diretamente o público são abordados pelo periódico, como “E aí, vai encarar?”, sobre a necessidade de ter um planejamento financeiro antes de ter filhos.

São publicadas matérias para os especialistas, mas com uma linguagem acessível aos que não têm um conhecimento profundo da área econômica. Isso facilita e garante o entendimento dos focos principais da revista: mostrar ao leitor quais as tendências do mercado, como está a economia do País, como ele pode fazer uma avaliação de qual atitude tomar e como escolher a melhor opção.

Não há como fugir disto: um veículo de comunicação exerce uma influência tremenda no cotidiano da população (mesmo que ela não esteja tão interessada na leitura) e, portanto, deve ter o senso de serviço e não de manipulação. Deve proporcionar meios de o povo conseguir tomar a sua própria decisão e não apenas aceitar tudo o que é publicado. Deve haver um incentivo à discussão da realidade econômica do País. Essa é a função do jornalismo econômico. Ensinar ao leitor que existem alternativas para que ele colabore com a sua economia pessoal e com a da nação. Se for assim, o verdadeiro objetivo do jornalismo é cumprido. Se não, essa atividade não passa de uma prática barata e tendenciosa.