Economia é um assunto que não sai de pauta. Sempre tem uma novidade, sempre pode trazer uma surpresa. Seja um susto ou um suspiro de alívio. Mas como as pessoas podem ficar por dentro do assunto? A mídia é o meio mais procurado. É ela que sempre conta as novidades, traz informação e forma opiniões.
Isso só acontece se a revista, o jornal ou qualquer outro meio de comunicação for atrás das ferramentas, da notícia, da informação. Na economia, o primeiro passo é mergulhar no mundo dos negócios e trazer a tona todos os subsídios que teçam uma rede completa de informações. Depois, o importante, é ajustar tudo isso a uma maneira que seja compreendida pelo público. Além de se prestar ao seu papel: informar.
A IstoÉ não tem feito a tarefa direito. Quando o tema é economia, a revista deixa a desejar. Pode usar uma linguagem fácil, de simples compreensão e achou que podia banalizar a informação. Raramente o assunto foi capa e quando participava das seções da revista, não fazia diferença. O público não foi respeitado. Quem usou a revista como meio para se informar, perdeu.
A primeira (e única) capa sobre economia: aborda a vinda do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ao Brasil. A revisa foi cômica: “... sempre tentando parecer o Senhor da Guerra”. Usou termos engraçados para descrever a imagem do presidente e quase que o chama de criança mimada, “...Bush não propõe nada em troca disso tudo.”
A IstoÉ foi severa com Bush. Mostrou tudo que ele pretende ganhar e o “nada” que ele pretende oferecer. “ Mas diante desse parceiro que muito exige e nada oferece, resta saber como tirar desse encontro algum dividendo proveitoso para o Brasil”. Em tom de revolta (mais um pouco viraria motim) a revista sugeriu que para a economia do Brasil, seria melhor que Bush não tivesse pousado em terras tupiniquins.
Notícia sem informação
Onde teve a oportunidade de acertar, errou. A edição de 28 de março noticiou a venda da Ipiranga para as “gigantes” Petrobras, Ultra e Braskem . Classificou o negócio como o maior do ano e mostrou preocupação com o restante da concorrência. Mas não esclareceu isso. Contou a história da Ipiranga , falou dos números (e eram tantos...) e usou uma única citação de uma fonte para afirmar sua preocupação: “Essa concentração pode ser prejudicial aos concorrentes e consumidores”, avalia Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura. Todo o restante da matéria era um merchandising das empresas envolvidas. Mais nada!
A Época deu mais importância e credibilidade ao assunto. Informou mais sobre as denúncias de fraude na bolsa de valores no que se diz respeito às compras das ações depois do mega negócio. Sem contar que a Época tratou de um outro assunto, que merecia atenção. Era o PIB (Produto Interno Bruto), que teve a uma nova fórmula de cálculo adotada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia), mas para IstoÉ, isso não era importante.
A edição de 18 de abril da Veja trazia na capa toda a repercussão da queda do dólar enquanto a mesma edição da IstoÉ tinha uma pequena, micro, minúscula matéria sobre o assunto. Era um tema importante. O valor do dólar é o responsável por todas as altas e baixas nas diversas bolsas de valores do mundo, por isso sua queda merecia uma atenção maior. Enfim, deixou a desejar. Não foi além, disse que a crise industrial tinha uma solução, mas não a apresentou. A economia sofria uma onda de sobe e desce e a IstoÉ permaneceu em um poço de calmaria. Perdeu.
Mesmo com sua “tendenciosidade normal”, a Veja saiu na frente. Trouxe vários infográficos e uma linguagem de fácil compreensão para qualquer pessoa. A IstoÉ abusou da linguagem simples, mas sem esclarecimentos. Deu a notícia, mas não trouxe informação que acrescentasse.
A matéria da seção de economia e negócios da edição de 2 de maio, “Confiança de titãs”, apresentou o interesse dos investidores estrangeiros no mercado brasileiro. Continuou a utilizar uma linguagem simples e mostrou os prós e os contras desses investimentos no mercado interno. Intencionou informar, mas continuou presa ao mediano. O mesmo aconteceu com a revista Exame . Ambas se “uniram” para não fazer o diferente.
Buscando a ascensão
Interessante foi a edição de 20 de junho. A revista tratou da participação feminina na economia brasileira. Fez um retrospecto histórico da participação das mulheres e uma projeção de como vai ser o futuro. Foi feliz nos infográficos e no trabalho de pesquisa. Quando saiu do comum, a revista teve uma participação especial no cenário da informação.
Só em suas edições de 04 e 25 de julho, a IstoÉ deu uma certa credibilidade à economia brasileira. Na primeira, o Brasil passava pela indecisão de qual taxa de inflação adotar. A revista apresentou as duas possibilidades e as preocupações que ofereciam. Deu ao público a chance de saber o que acontecia. Já na segunda falou sobre a queda dos juros no Brasil. E a matéria (surpresa!!!) foi boa, porque apontou as reais vantagens dessa queda para o consumidor final. O que era para ter feito sempre, deixou para fazer em algumas colunas.
A economia norte-americana ia de mal a pior quando a IstoÉ resolveu tomar fôlego. A crise do mercado imobiliário americano que assustou o resto do mundo não foi tema de capa da revista, mas foi tratado com riqueza de informação. Foi explicado nas matérias das edições 15 e 22 de agosto, o que aconteceria e as conseqüências que afetariam a economia brasileira. Lição de casa feita: noticiar e informar!
Em setembro (edição do dia 19), a revista trouxe uma entrevista com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. IstoÉ trouxe a atenção da entrevista para a calma do ministro e para quando disse que a crise financeira intencional não afeta tão negativamente a economia brasileira. Nada de especial. O repórter se ateve a fazer as mesmas perguntas de sempre. É a tal da linha editorial...
Banalização da possível informação
IstoÉ deixou claro que a economia do País não é importante para ela. Tratou com desleixo, foi negativa quanto a qualquer ensejo de boa mudança. Banalizou a importância do assunto. Um exemplo é a edição de 6 de junho na matéria “Pregão Fashion” . Não que moda não seja um assunto importante, mas dizer que este é o segmento que vai alavancar a economia do País, isso já é demais!
Resolveu que a economia brasileira não merece confiança (tudo bem que ela não está só, muita gente não confia também), mas a função da revista é informar sem ser tendenciosa, sem escancarar ou impor suas opiniões. A IstoÉ , resolveu tratar do assunto de qualquer maneira. É como se, por todo mundo falar alguma coisa, ela tivesse que dar um “pitaco”, o pior foi que o “pitaco” foi da maneira mais errada. Sem inteligência, sem criatividade.
Genéricas. Assim foram as matérias da revista. Não tiveram profundidade, só ficaram boiando na superfície da mediocridade. Quando tinha a oportunidade de fazer diferente, IstoÉ escolheu continuar no lugar comum. Não influiu nem contribuiu para agregar conhecimento a seus leitores. Por dirigir suas matérias ao público em geral, deveria trazer mais informação, que suprisse a necessidade de todos. Ou então, decidir-se por um público exclusivo e não se prender a assuntos gerais. Essa mania de generalizar fez com que a revista deixasse a desejar no assunto economia.
É possível trazer informação usando uma linguagem simples, sem rebuscamentos. O diferencial da IstoÉ foi esse, tratar de economia com uma linguagem acessível, mas foi só isso. Por ser simples, acabou sendo cômico. A revista trouxe a notícia, mas não informou. Jogou em suas páginas o que estava acontecendo, mas não esclareceu coisa alguma. Não trouxe nada de novo para seu leitor. Não instigou nele a vontade de querer mais.
A participação da IstoÉ na discussão da economia foi triste. Se iguala a um portal de notas. Uma sugestão de pautas em várias folhas. Pode ser comparada à chuchu ensopado: cheio de água, sem tempero, sem graça. |