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Economia para o povo |
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| Paulo Mondego |
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Quem acompanha o noticiário brasileiro sabe que o tema economia sempre foi pauta cativa nos pequenos e principalmente nos veículos de grande porte. No Jornal Nacional não poderia ser diferente. O telejornal mais assistido pelos brasileiros geralmente apresenta, a cada edição, pelo menos uma notícia sobre economia além dos dados do mercado financeiro (cotação de moedas estrangeiras e índices das bolsas de valores). Mas qual o viés adotado no telejornal para noticiar o assunto que está no cotidiano do mega empresário até a diarista que pega três ônibus por dia para chegar ao trabalho? Durante a semana que o mundo das finanças deu uma reviravolta por causa da redução de meio ponto percentual na taxa básica de juros e da votação no Congresso para prorrogação da CPMF no Brasil, o imposto dos cheques dito “provisório”, o Jornal Nacional pôde dar uma pincelada de como divulga as notícias sobre economia para o brasileiro. A semana começou sem grandes novidades e com dados do mercado financeiro. Mas o repórter José Roberto Burnier deu um exemplo de como alguns aspectos do tema economia podem ser entendidos por cidadãos comuns de forma clara e objetiva. A reportagem veiculada na segunda-feira (17) mostrou com linguagem simples o resultado de um estudo da Associação Nacional de Transporte de Cargas que revela como as rodovias brasileiras atrapalham o crescimento do País por causa do péssimo estado. Com a habilidade de um repórter experiente, Burnier mostrou por meio de recursos gráficos e entrevistas com especialistas o prejuízo que o Brasil tem com as más condições de transporte nas rodovias. No dia seguinte (terça-feira, 18), o cenário econômico mundial teve uma novidade que trouxe bons resultados para as bolsas de valores do mundo todo. A correspondente de Nova Iorque, Lília Teles, contou com detalhes as razões da redução de meio ponto percentual na taxa básica de juros. A medida do Federal Reserve, banco central norte-americano, teve implicações diretas no Brasil apesar de a matéria em si não ter citado. Em seguida, o apresentador William Bonner se encarregou de divulgar que a decisão do Fed teve implicações no mercado financeiro do Brasil. Na mesma edição, duas pequenas notas sobre economia foram divulgadas: uma relatando a iniciativa do governo em acelerar os trabalhos no Congresso para votar a permanência da CPMF e outra sobre a expectativa de crescimento da economia brasileira. Ambas poderiam ser mais abrangentes e explicativas. Na quarta-feira (19), a principal notícia sobre economia foi uma pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas, na qual revela que seis milhões de brasileiros saíram da linha de miséria no ano passado graças a programas sociais do governo e avanços da economia. O repórter Flávio Rachel conseguiu mostrar esse dado na prática por meio de exemplos de cidadãos comuns. Também com gráficos, a matéria ficou esclarecedora e pôde mostrar como foi possível que milhões de pessoas saíssem da pobreza. Em seguida a reportagem sobre a votação no Congresso para aprovação da maldita CPMF teve mais caráter político do que econômico. A CPMF continuou sendo notícia na edição de quinta-feira (20), mas com o mesmo caráter político. Notícia sobre economia mesmo ficou por conta da nota sobre a elevação do euro em relação ao dólar desde que a moeda européia foi criada. A semana terminou na sexta-feira (21) com uma reportagem que deveria ser modelo para a maioria das noticias sobre economia. O repórter André Luiz Azevedo mostrou como o aumento no preço das passagens de ônibus superou a inflação e como isso prejudica o orçamento do passageiro. Com depoimentos de pessoas que utilizam o transporte urbano, a matéria deixou claro que os responsáveis pelo setor devem tomar uma providência rapidamente. A edição de sábado do Jornal Nacional não apresentou nenhuma matéria sobre economia. Jornalismo que não provoca mudança social não passa de um amontoado de histórias contadas. No jornalismo econômico a premissa é a mesma. Não adianta mostrar siglas sem significados, ações sem explicações ou índices sem resultados. Mesmo com a economia brasileira crescendo, o público precisa compreender como esse crescimento vai influir no cotidiano dele. Se a CPMF vai roubar mais dinheiro do seu orçamento, se o dinheiro da passagem vai diminuir ou aumentar, e tantos outros assuntos que a maioria da população precisa saber. O Jornal Nacional muitas vezes atende essa necessidade, mas poderia ser mais profundo com as matérias que publica sobre economia, afinal é o povão quem mais assiste. |
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