O Jornal da Band entra no ar às 19h20, horário que começa a novela das sete. Ou seja, quem assiste o JB prefere jornalismo a entretenimento. Essa é a uma das duas vantagens do JB. Tanto é que por algumas vezes ele ocupou o primeiro lugar no Ibope. Por outro lado, a equipe não aproveita essa oportunidade. Ao invés de levar jornalismo a quem têm fome de informação, prefere ficar na superficialidade e colaborar para a alienação nacional. A outra vantagem é a interatividade. Geralmente, são dois apresentadores. No JB são três – não é o ápice da interatividade, mas pelo menos é criativo.
Aparentemente, o jornal parece simples e fácil de entender, mas é só começar a assistir pra ver que ele não é simples, mas simplório. Para um jornal de abrangência nacional, o JB deixa a desejar, pois parece mais uma edição local. Uma das manchetes, do jornal exibido na segunda-feira (24), era sobre o ataque de um pit bull.
Por incrível que pareça, o jornal não é feito por amadores. O editor-chefe e também apresentador é o conhecido Ricardo Boechat, que migrou do impresso pra TV. Outro destaque é o comentarista de economia, Joelmir Betting. Mas mesmo com esses nomes, o jornal não sai da mesmice. Um exemplo disso é a cobertura econômica. Com um especialista no assunto, o jornal poderia ser um diferencial. No entanto, o JB segue a tendência da maioria dos telejornais, em que os assuntos são abordados por um viés que prefere manter distância dos que mostram se o Brasil está crescendo ou não.
A cobertura
Na edição do último dia 24, o jornal apresentou três notícias sobre economia. A principal era sobre a liberação de verbas para a saúde feita pelo governo. Foram exibidas duas reportagens sobre o descaso da saúde pública no Brasil e depois o apresentador comentou sobre o investimento do governo federal. Pela abordagem da reportagem dava a entender que o fato de destaque era a situação dos hospitais. Porém, o desinteresse das autoridades já é conhecido por todos. Só que naquela segunda-feira, o governo liberou mais verbas para o Sistema Único de Saúde. Por meio do viés apresentado pelo JB, parecia que investir é uma coisa banal, um acontecimento rotineiro.
Ao contrário do Jornal Nacional, - que também usou o gancho da situação caótica que vive os pacientes dos hospitais públicos - sem sensacionalismo, na reportagem do JB as cenas eram pitorescas. Em uma delas a imagem mostrava a agonia de uma mãe na hora do parto. Já o JN deu a verdadeira notícia, da liberação das verbas. E ainda foi além. Explorou a questão dos investimentos brasileiros em saúde, comparando com outros países.
Outra matéria gritante era sobre a viagem de Lula aos Estados Unidos. A reportagem foi exibida no último bloco, depois do futebol e do coala órfão que foi devolvido à selva australiana. O presidente estava em Nova York para participar de um encontro na sede das Nações Unidas que ia debater as mudanças climáticas globais. Todavia, o objetivo da visita era mostrar os benefícios do biodiesel nesse cenário de destruição ambiental. Esse era o fato. E mais uma vez a matéria do JB ficou incompleta.
A reportagem exibida mostrava que o presidente era mais um no salão de eventos da ONU e a coisa mais importante que ele faria era falar por 15 minutos, no dia seguinte. Nem o tema do debate foi dito e nem os interesses econômicos brasileiros. A reportagem transformou a discussão internacional, em mais um encontro entre os chefes de estados.
No segundo bloco, o apresentador e comentarista Joelmir Betting, leu uma nota sobre o bom desempenho da Bovespa e a recuperação da bolsa de valores, que conseguiu zerar os prejuízos causados pela crise do setor imobiliário americano. Mas foi só uma nota com alguns números. O jornal podia aproveitar a experiência do comentarista e abrir um espaço para que ele interpretasse a notícia para o cidadão comum.
Seis por meia dúzia
A cobertura econômica do jornal é uma ofensa aos que o escolhem. Em nenhum momento o telejornal quis mostrar o desenvolvimento do Brasil. Pelo contrário, transformou as três míseras reportagens de economia em algo que não interessava ao cidadão, como se aquelas mudanças não atingissem a população. Além disto, lidou com os acontecimentos de uma forma fria e má, pois não permitiu que os seus fiéis telespectadores soubessem o que realmente aconteceu de importante naquela segunda-feira, 24.
É lamentável ver o que um jornal deixa de fazer pelo povo. Quem sabe alguém mande um email dizendo sobre os malefícios de assistir um jornal assim e que é melhor ficar assistindo a estória de Bia e Dante. Mas, convenhamos, alienação por alienação é melhor desligar a TV. |