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Economia na pauta social |
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| Qual o problema em usar o “jargão” ou gíria profissional na linguagem econômica? Nenhum. Pelos menos para os veículos de referência no assunto. Cada vez mais a mídia aposta na segmentação e apresenta uma linguagem menos truncada e ao mesmo tempo profunda sobre o fato econômico. |
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Leonardo Siqueira e Patrícia Matter |
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Ninguém reclama quando o narrador de futebol comenta o pênalti ou questiona aquele impedimento na grande área. Apesar de técnicos, esses termos passaram a designar significados muito comuns para o povo brasileiro. E não deixam de ser complicados para quem sequer tem afinidade com o esporte. Muita gente sabe que o pênalti é uma falta cometida dentro da área, e isso inclui uma série de penalidades: segurar o adversário, colocar a mão na bola, derrubar o jogador. Entretanto, quando o assunto é economia, o emprego de palavras que englobam significados complexos é motivo de discussão para muita gente. A fim de evitar “faltas”, alguns veículos adotaram uma tática menos agressiva: vocabulário simples, infográficos e muitas ilustrações. Mas o que há de errado com a atual abordagem feita pelos noticiários econômicos? Aparentemente nada. É o que pensa o economista e consultor financeiro João Quagliato. “Ela já foi mais complicada. Hoje, o leitor ‘comum' consegue assimilar melhor o assunto. No rádio e na TV, por exemplo, comentaristas traduzem o fato econômico de maneira adequada”, aponta. O especialista não vê problemas na simplificação da linguagem. “Vamos usar o exemplo do jornalista Joelmir Betting: qualquer pessoa entende o que ele fala sem ter nenhuma formação específica. E olha que o Betting nem é economista. Ele é sociólogo”, cita. Escrever para quem? Se por um lado a tradução de uma linguagem complicada e ampla como a econômica desperta o interesse de muitos leitores, o uso de termos específicos afasta uma parcela significativa do público que não está acostumado com esse tipo de informação. E é aí que a imprensa generalista encontra sua maior dificuldade: satisfazer o consumidor da notícia “mastigada” e ao mesmo tempo, prover uma análise profunda do fato econômico para o leitor mais exigente. “O importante é que as pessoas percebam o fato econômico. Elas precisam entender o assunto a fim de se defenderem e não deixar ninguém lhes ‘passar a perna'”, brinca o colunista do Estadão e comentarista da rádio Eldorado, Celso Ming. Na avaliação dele, a imprensa caminhou muito nos últimos trinta anos.Sobre o uso do “jargão”, Ming acentua: “não dá para traduzir tudo. O que podemos fazer é explicar os conceitos. E isso é dever da imprensa”, pondera. Ele acredita ainda, que culpar o tempo e o espaço reservado para a matéria de economia “é uma desculpa esfarrapada” e um sinal de que o jornalista não entende o assunto. Editor de economia do Correio Braziliense, Raul Pilati reconhece a dificuldade em escrever para economia, mas salienta que o uso de palavras específicas não é novidade no jornalismo. “Qualquer editoria usa o jargão. O jornalista que cobre cultura, por exemplo, não é pressionado a traduzir um termo específico. Ao contrário da economia. Eu ainda não entendi porque alguns segmentos jornalísticos têm o ‘direito' de utilizar esse recurso e a economia não”, reclama. Segundo ele, a questão não é a linguagem, mas o leitor a quem se destina o veículo. “O público especializado que lê a Gazeta Mercantil gosta do que vê no Correio porque nós tratamos de assuntos profundos de forma analítica”, revela. Para o editor, o público de consumo está interessado na utilização da notícia econômica no seu dia-a-dia. Economia no bolso do leitor Vale tudo para cativar o público. Infográficos, tabelas comparativas, personagens, charges e até histórias em quadrinhos. O aumento no preço do leite em saquinho, a liquidação de inverno e a dívida pública dividem espaço com a queda do dólar e os novos números do PIB (soma das riquezas de um país). Porém, a tarefa mais importante para esses editores é incluir a agenda pública na pauta econômica. E mostrar ao leitor que a economia também tem função social. “Mostramos os efeitos práticos da economia não apenas em nível macro – que é o mais complicado – mas o impacto disso tudo nos mercados, nas arrecadações, nos impostos e assim por diante”, esclarece a editora do Diário de Pernambuco, Leianne Correia.Na opinião da jornalista, a expectativa do mercado incentiva a cobertura da imprensa. “É muito complicado fazer análises. Na verdade há um jogo de interesses e esse tipo de material reflete um pouco a expectativa do mercado”, pontua. Um exemplo prático é a atual crise na economia norte-americana. Pela primeira vez, o mercado bateu o recorde de 60 mil pontos na bolsa de valores. “De modo geral, a influência do interesse público e do mercado financeiro afeta a cobertura da mídia”, ressalta. Já a editora do Zero Hora, Maria Isabel Hammes, comenta a discussão da agenda social na pauta econômica. “O leitor quer saber o impacto da economia no dia-a-dia e não apenas o calendário governamental do Banco Central. Enfim, a questão da previdência e desemprego tendem a ganhar mais espaço”, projeta. |
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