Antes de qualquer outro conteúdo, vale expor ao leitor os conceitos de sensualidade e erotismo, para melhor compreensão e debate. À primeira vista, ambas as palavras podem parecer providas de um mesmo significado. No entanto, pequenos detalhes as colocam em situações de extrema diferença.
Segundo o Dicionário Barsa, deve-se entender por erotismo o caráter ou tendência ao erótico (relativo ou pertencente ao amor sexual), paixão sexual insistente. Por outro lado, sensualidade pode ser definida como uma qualidade de sensual, lubricidade, volúpia, propensão para os prazeres materiais. Além disso, sensualidade ainda pode ser entendida como um certo charme característico da pessoa cujo modo de agir, falar e andar atrai a atenção das pessoas.
Resumindo as conceituações, o erotismo apela sempre para o sentido consciente do sexo, não deixando prevalecer dúvidas sobre o que se deseja. Já a sensualidade encobre o vulgar explícito do erotismo com malícia.
A psicanálise, dentre seus conceitos, explica que o ser humano já nasce imbuído de energia erótica e, que com o passar dos anos, o despertar do desejo torna-se natural.
Com o objetivo de conquistar cada vez mais pessoas, os meios de comunicação se utilizam dos artifícios sensuais e eróticos. Revistas, filmes, programas de televisão, jornais, enfim, toda a mídia coloca o receptor da mensagem em situações claras de sensualidade. Nunca se falou e se viu tanta insinuação de sexo na mídia como nos últimos anos, principalmente nas propagandas. Assim, os anunciantes exibem suas mercadorias carregadas de erotismo, que se desenvolve na mente das pessoas através de imagens, fazendo-as adaptar a mensagem a um erotismo real e dando-lhes a sensação de prazer.
Os anúncios de bebidas alcoólicas, principalmente a cerveja, são conhecidos pelo forte apelo ao erótico. Nesse seguimento, o papel da "mulher perfeita", fisicamente falando, é essencial para o sucesso do produto. Mulheres usando biquínis minúsculos (isso quando os usam), em poses que alimentam a imaginação do homem, são facilmente encontradas. Em alguns casos, a própria marca do produto pouco aparece na publicidade, pois o intuito é prender a atenção masculina, e até a feminina, pela encenação.
No entanto, não é apenas da publicidade que vive o erotismo. Desde que a televisão chegou ao Brasil, nos anos de 1950, o acesso a conteúdos ligados ao sexo vem crescendo, principalmente nas telenovelas, onde o sexo tornou-se praticamente explícito. As novelas do horário nobre, devido ao horário e percepção dos telespectadores, estão cheias de sensualidade e erotismo.
Anos atrás, o telespectador se via presente em cenas sensuais das novelas. Aqui, o sensual era realmente como o seu significado. Porém, o que é apresentado hoje é uma vulgarização do sensual, ou seja, erótico. Assim como nas propagandas, é muito mais comum ver mulheres em situações de apelo sexual do que homens. Kubanacan, novela exibida pela Rede Globo no ano de 2004, na faixa das 19 horas, é um exemplo típico de como a televisão vem transformando o sensual em erótico para ganhar audiência. Na peça, mulheres e homens com pouca roupa eram destaques nas cenas.
Vale lembrar que os conceitos da sociedade atual são bem diferentes e mais liberais do que anos atrás. Sendo assim, a mídia tenta explorar essa liberdade despertando a fantasia das pessoas. Por fazer parte do instinto humano, a sensualidade deve e tem de ser exibida pela mídia. Essa prática alimenta a mente das pessoas e as fazem sonhar. O erotismo, por ser mais vulgar e explícito, deve ser trabalhado com maior cuidado, e não simplesmente excluído. Hoje, a sensualidade e a força do erotismo fazem vender. E enquanto a sociedade continuar aprovando os recursos utilizados pela mídia para prender a atenção do público, os veículos de comunicação irão erotizar cada vez mais a sensualidade. |