"Espelho, espelho meu: existe alguém mais bela do que eu?"
História antiga, aflição atual. Se a madrasta quarentona vivesse em nossos dias, logo faria dieta, peeling, drenagem linfática, plástica, maquiagem definitiva, tingiria os cabelos, colocaria lentes de contato e... bem... ainda assim mandaria matar a mocinha de beleza despretensiosa.
A busca pela estética perfeita não é novidade. Desde a antiga Grécia, o corpo bem definido e as expressões simétricas, fazem da beleza atributo dos deuses. Mas foi só no século XX, com o advento e a popularidade dos meios de comunicação de massa, que a procura pela beleza passou a tomar dimensões nunca antes esperadas.
Associada ao latente e constante anseio humano pela aceitação, a beleza virou produto. Magreza excessiva, anorexia, bulimia, baixa auto-estima são apenas algumas conseqüências da influência exercida por esse comércio.
A empresa de cosméticos Dove realizou uma pesquisa com 3300 mulheres de diversos países, inclusive o Brasil. Os estudos mostram que para 55% das mulheres entrevistadas, é difícil se sentir bonita quando confrontadas com o ideal de beleza divulgado pelos meios de comunicação. E 19% destas afirmaram ter a mídia como principal influência para as decisões relativas à sua aparência.
Segundo a pesquisa, as mulheres "ainda na infância tomam consciência de que devem ser fisicamente atraentes". Talvez, a madrasta má de "Branca de Neve e os sete anões" tenha levado a maioria delas a essa conclusão!
Mocinhos ou Vilões?
Baseada na amostragem, a "Campanha pela real beleza" da indústria de cosméticos citada anteriormente, realiza campanha publicitária com mulheres gordinhas, de cabelos crespos e outras características pouco utilizada pela indústria da beleza.
Ferramenta interessante veiculada pela empresa, pioneira em uma tendência que parece surgir, mas não isenta de artifícios publicitários. Mulheres gordinhas, sim, mas devidamente maquiadas, penteadas e vendendo cosméticos.
Há cerca de um ano, no renomado "Passarela Cibeles" em Madri, um dos principais pólos da moda mundial, modelos foram vetadas de participar dos desfiles por apresentarem aparência doentia. A artimanha se repete. Proibição de modelos anoréxicas e bulímicas, mas com notícias em jornais de todo o mundo.
Mocinho ou vilão, o negócio é "business". Atingir o público, criando nele um vínculo afetivo. Esse é o papel da publicidade.
Contraditório, mas necessário
O mais sério, é que a sociedade parece precisar desses modelos inatingíveis. Olimpianos, semideuses, de aparência e comportamento diferentes do mundo real. São eles que fazem o público entreter-se, esquecendo temporariamente os problemas cotidianos.
Não fosse assim, menor seria o número de publicações e programas de televisão reservados a falar da vida destes. É da própria sociedade que a mídia tira seus estereótipos. Afinal, ninguém quer ser feio. Ninguém quer ser comparado a algo disforme ou descomposto.
Se a sociedade comum não sabe o que fazer com o padrão de nossa época, não deve ser a mídia a única culpada! Ela se vale da beleza pra dar credibilidade à sua informação, para vender seu produto, para ganhar audiência.
Já diria Vinícius de Moraes: "Desculpem-me as feias , mas beleza é fundamental".
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