ABJ    |    ABJ Media Center    |    Canal da Imprensa    |    Diário do Campus    |    O Parcial
  home |
 

Sem noção ou sem informação?

Miriam Lopes

Cada vez mais a mídia se degrada através de programas de entretenimento, na apresentação indecente de personagens e apresentadores que se valem da sensualidade para atingir o público. A falta de pudor e respeito com telespectadores é vista por meio de insinuações e conteúdos nada edificantes.

A deturpação da imagem feminina ganha cada vez mais espaço nos meios de comunicação. Um corpo ideal, belas pernas, o cabelo perfeito, enfim, muitos são os desejos de transformação de homens e mulheres que sonham em estar no outro lado da tela, no corpo de famosos que ganham muito pra expor pouco.

Um típico exemplo de desvalorização é o da apresentadora-comediante do programa Pânico na TV, Sabrina Sato. A paulista de 26 anos, nascida em Penápolis, interior de São Paulo, é vista como uma referência de sensualidade na mídia.

Sabrina já foi dançarina do Faustão e interpretou uma prostituta na novela Porto dos Milagres. Desde então já imaginava tornar-se famosa, mas só veio a ser conhecida mundialmente em 2003 após participar do reality show Big Brother Brasil (BBB), no qual antes mesmo de participar, já sabia que se tornaria uma celebridade instantânea.

A boba da corte

No Pânico, a japinha retrata nada mais nada menos do que ela mesma, uma mulher escandalosa e exagerada que fala alto, completamente atrapalhada, mas muito emotiva, "...não sou o gênio da televisão brasileira, inteligência não é minha melhor qualidade...por isso eu levo essa fama", afirma.

As bizarrisses apresentadas no programa, vêm de idéias criadas por ela mesma, pois faz parte da criação do mesmo. Isso pra ela não é difícil, pois quando criança estava sempre aprontando. Dotada de hiperatividade, sempre foi mantida ocupada em alguma atividade, por isso, conta com um currículo prático-esportivo extenso na área do balé clássico, da ginástica olímpica, do vôlei e do basquete.

Para muitos, tanto as idéias quanto o sotaque, é proposital na intenção de "chamar a atenção". Um exemplo é encontrado no chavão "é verdade", que ela tanto falava no BBB. E até hoje soa como uma forma de ganhar a simpatia do público.

Imagem não é tudo

Assim como a maioria das participantes do BBB, ao sair do programa Sabrina foi capa da revista Playboy. 1,69 metro de altura, 89 centímetros de virilha e 59 quilos a fazem um ponto de contato da lubricidade.

Bastaram algumas fotos para que a mulher que usa roupas curtíssimas e saltos altíssimos adentrasse ao mundo da comunicação. Sua ingenuidade foi o primeiro passo para o convite de uma participação no rádio e na TV.

Convidada pelo dono da rádio Jovem Pan, a menina abriu mão de tudo para explorar sua popularidade divulgando o Pânico na TV. Na época, a moça fazia somente duas perguntas para os entrevistados e era muito zoada pelos colegas, o que não mudou nada, pois continua sendo até hoje.

Mente vazia

A mocinha, que só deu o primeiro beijo aos 13 anos, tem sonhos como de menininha: encontrar o homem perfeito que a faça feliz. Porém, não tem conteúdo edificante para apresentar e caiu na mídia de pára-quedas.

Com um exemplo de vida nada estimulante a ser imitado, Sabrina Sato desqualifica sua auto-imagem imatura: "... sou muito imatura para relacionamentos...". Mesmo assim se expõe sem receio algum.

Aquela história de informação e conteúdo nas programações foi deixada de lado. Sensualismo, modernidade, libertinagem, insinuação e imoralidade tomaram conta de programas de auditório, rádios, jornais e principalmente da internet. Hoje não importa mais o conteúdo, mas sim a embalagem. Quem paga? Todos que gostam do regresso intelectual, consumindo algo abstrato que não lhes acrescenta nada, pelo contrário, os deixam inertes ao verdadeiro desenvolvimento mental.