Jornal popular com ilustrações quentes e reais. O texto "picante" que aparece sutilmente em algumas editorias não tem restrição de idade na leitura do Agora São Paulo.
Modelos seminuas, celebridades em contexto erotizado e cores chamativas que despertam desejos. Esse conteúdo extravagante não faz parte de nenhum material de revista erótica. Num conjunto sensual, o jornal Agora São Paulo chama a atenção pelas fotos das belas modelos que estampa.
A edição de número 3137, de 22 de outubro de 2007, mostra na página A2 uma foto que ocupa praticamente todo o espaço da folha. Trata-se da assistente de palco do programa Melhor do Brasil, da Rede Record, que posou de biquíni para o jornal. A fotografia recebeu o título de "O melhor filé do Brasil", sendo o vocábulo "filé" em tons vermelhos para destacar o trivial adjetivo à moça. Na nota que segue abaixo, o colunista da seção explica que a modelo pretende seguir a carreira artística e para finalizar comenta que ela pode ser o que quiser, pois é "o melhor filé do Brasil". Nessa declaração o escritor induz o leitor a pensar que ter um corpo bonito, como o da assistente, justifica qualquer ato da jovem. Em outras palavras, afirma que quem possui beleza não precisa de qualificação e conhecimento acadêmico.
Na mesma edição, o caderno de esportes Vencer exibe na primeira página uma foto do jogador do São Paulo Futebol Clube (SPFC), Jorge Wagner, em que morde uma parte da camisa e mostra seu abdômen na comemoração de um gol. A foto não foi propositalmente sensual, mas mostrou a boa forma do jogador. O editor poderia ter utilizado uma ilustração mais contextualizada, como a que foi exposta na capa. Nesta, aparece Wagner na mesma pose, porém a figura de dois colegas de equipe faz com que a fotografia não destaque tanto o corpo do jogador. Faltou bom senso por parte da editoria.
No caderno sobre o Grande Prêmio (GP) do Brasil 2007, o título da página C12 é "Beldades nos boxes". Em destaque, aparece a foto da jornalista e ex-amante do senador Renan Calheiros, Mônica Veloso, com o título "Capa da Playboy distribui beijinhos em Interlagos". O texto fala que ela foi assediada pelos torcedores, posou diversas vezes para as fotos e não se cansou de distribuir beijos aos fãs. A jornalista, como é ainda indevidamente chamada, gostou do título de "estrela" e deslumbrou-se com a fama. A ex do senador decidiu explorar suas curvas ao invés de usar seus conhecimentos acadêmicos. Certamente posar nua para uma revista masculina lhe renderá muito mais dinheiro.
Na mesma página de Mônica, está a Miss Brasil 2007, Natália Guimarães. Em uma foto que ressalta os seios, aparece em destaque na legenda a palavra "sensual" e afirma que a moça "deixou a platéia boquiaberta com sua sensualidade". Em seguida, o figurino despojado da Miss é descrito e o short curtinho com a blusa branca é comentado pela repórter.
A mídia sabe explorar essas celebridades instantâneas e fazer delas uma grande notícia. E foi assim que o jornal Agora São Paulo fez na oportunidade que teve na cobertura do GP Brasil 2007. O imerecido destaque à Mônica e o insignificante atributo à Natália foram irrelevantes diante do evento. Não mereceria a matéria de meia página que teve.
O "Carocinho da Semana"
E o carocinho dessa semana foi a modelo fotográfico, Cristina Lima, de 22 anos. Esse termo vulgar é usado na foto da coluna do jornalista Vitor Guedes, na contracapa do Agora São Paulo. Na seção, a modelo aparece nua, pois não se pode considerar como roupa o minúsculo emblema de seu time que ocupa metade de suas nádegas. Além disso, conta a experiência sexual marcante de sua vida. No final da seção, o colunista avalia: "Delícia campeã para comemorações efusivas. Frente e verso cinco estrelas". Para quem deseja participar da coluna, Guedes pede que a leitora mande uma foto sensual com a camisa do time que torce para concorrer ao título "Carocinho da Semana".
Na mesma página, o jornalista apresenta notas críticas ao esporte que envolve termos pejorativos com vocabulário grosseiro. Dirige-se ao público como "fogosa leitora e descontraidaço leitor" e utiliza períodos como, "pior do que encoxar a mãe no tanque ou espiar a filha tomar banho pela fechadura". No dicionário de Guedes, o que falta é a palavra respeito.
Em geral, nota-se que o jornal é destinado às classes D e E. Mas esse fato não permite que os colunistas e editores desrespeitem os leitores com palavras vulgares e fotos eróticas. Cabe à direção do jornal uma classificação de conteúdo para não deturpar o padrão moral da sociedade. O leitor que deseja adquirir material pornográfico deve procurar uma revista especializada no assunto, em que a venda é proibida para menores de idade. Infelizmente, alguns jornais populares apelam ao sensacionalismo e exploram a sensualidade para vender mais exemplares. Que Agora seja diferente para mudar esse conceito dos jornais de categoria popular.
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