"A sexualidade tomou conta da cidade..." e lamentavelmente a maior culpada por tanta vulgaridade é a mídia. Visitas a sites pornográficos têm aumentado de forma exorbitante no Brasil. Cenas de sexo explícito não causam mais constrangimento para a família brasileira, que tem sido bombardeada por propagandas de homens e mulheres seminus, ou até mesmo, totalmente nus, nos mais variados meios como televisão, internet, outdoors e revistas. Como se tudo isso não bastasse, uma das mídias mais sérias do País, ou seja, o jornal impresso de cada dia, acabou sendo alvo para venda de corpos esculturais.
Um destes jornais, se é que pode ser chamado assim, é o jornal popular Notícia Já, que de notícia não tem nada. Com 32 páginas, formato tablóide, dirigido às classes B, C e D que vivem na cidade de Campinas e região, o periódico tem uma tiragem média de 60 mil exemplares. Vendido de terça-feira a sábado, cada exemplar custa 50 centavos. Ele possui uma linguagem "direta, abordando assuntos sobre cidade, gente famosa, trabalho, lazer, esportes e muita prestação de serviço, valorizando assuntos de interesse de toda a família"... ôpa, isso é o que diz o dirigente, Nelson Homem de Mello, diretor editorial da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), que também é responsável pelos jornais diários, Correio Popular e Diário do Povo.
Na realidade, a linguagem utilizada é bem abaixo de coloquial, seria uma espécie de linguagem chula, do jeito que o povão fala mesmo, com gírias e palavras não utilizadas por um jornal de verdade. O impresso faz uso ainda de imagens e manchetes sensacionalistas, dramatizando o que não precisava ser dramatizado.
Talvez um ponto positivo para o jornal, e até inteligente, seja a utilização de cores fortes e vibrantes como o vermelho, que chama a atenção do leitor para dar a primeira olhada no jornal. Logo em seguida, independente de ser homem, mulher, adolescente ou criança, os olhos serão automaticamente voltados para a modelo que está na capa. Pode ser que quando Nelson informa no site sobre a "valorização de assuntos de interesse da família" esteja falando, exatamente, sobre estas modelos, que normalmente são atrizes famosas e fazem de tudo para vender o seu corpo aos fotógrafos. No caso do Notícia Já, as fotos são compradas de agências, portanto, a equipe do jornal não faz modificações nas imagens com programas digitais ou coisa parecida.
É evidente e lamentável que o objetivo de jornais como este, seja o mesmo das cervejarias, das Havaianas e de muitas outras empresas que utilizam, em suas propagandas, o corpo da mulher para vender o produto que estão oferecendo. Mais lamentável ainda é o fato de que os governantes, formadores de opinião e pais de família aceitam que o Brasil seja definido como o paraíso do sexo fácil, barato e descartável. E mostram uma caricatura manchada e muito mal feita de um País que tem tanta coisa bonita pra mostrar e que poderia ser retratado em uma obra de arte. Por estas e outras, quando se fala em moralidade no Brasil, percebe-se que o País vai de mal a pior e agora não tem como voltar atrás. |