O jornalismo internacional é mais um agente a favor da interação jornalística. Além de possibilitar um intercâmbio com as outras partes do mundo, a editoria compartilha os problemas sociais das outras nações.
É redundante, mas é válido reafirmar. Jornalismo internacional serve para informar um povo sobre outro povo. As notícias são muitas, afinal, internacional é a editoria que mais publica reportagens. Mas na escolha dos fatos, fica uma lacuna: quem escolhe o que interessa para a sociedade brasileira?
É só observar a assinatura das matérias. Na maioria das vezes são os gringos que decidem, através das agências de notícias. Essa falta de subsídios para "sustentar" um jornalista no exterior, cria uma unificação entre os meios de comunicação.
Essa característica é mais visível nos impressos, pois o número de correspondentes é menor. É muito comum as matérias serem assinadas pela própria redação e com ajuda das agências. Por exemplo: Da Folha OnLine e lá no rodapé vem a observação com a Press, Reuters, etc. Essas assinaturas mostram como é confeccionada a notícia. O veículo de comunicação recebe os fatos das agências conveniadas, depois corta as arestas editoriais, e pronto, a matéria está finalizada.
Basta apenas uma olhadela rápida nos jornais ou nas reportagens de rádio ou TV, de qualquer veículo para notar que todos adotam a mesma linha. As notícias são muitas, no entanto, os artigos e as reportagens possuem a mesma "cara". Não importa de que lugar do mundo venha o fato, ele sempre está formatado nos mesmo moldes. Essa homogeneização do fato é resultado da falta de correspondentes e enviados especiais. O novo é sempre velho.
Qual é o problema desse processo? A falta da figura do jornalista. Os artigos são um clipping. Falta um olhar analítico sobre o fato, a notícia vem dentro de uma fôrma. É difícil ler uma reportagem feita por um jornalista estrangeiro sobre outro país.
Além do que, só existe uma versão dos fatos. Apenas um lado da moeda. Se o leitor duvidar de uma matéria e tentar procurar outra versão em um veículo concorrente, vai se decepcionar. Pois, pior que mostrar a mesma notícia, é mostrar do mesmo jeito.
Notícia estrangeira sobre nós
Em um artigo a jornalista Andréa Carolina Schvartz Peres, ressalta o outro lado: notícia internacional de brasileiros. Ela cita a cobertura do tsunami que aconteceu na Ásia em 2004.
"Por maior que tenha sido a cobertura, a comoção mundial e a ajuda humanitária, o espaço ocupado na imprensa brasileira (e não só) pelos 'turistas ocidentais', ou pelos dois brasileiros mortos na catástrofe, ultrapassou enormemente o lugar nela ocupado pelos 'nativos'". |
Nesse acontecimento, muitos correspondentes da imprensa brasileira foram enviados para o local. Só o enfoque foi para os brasileiros e para os estrangeiros. Ou seja, quando o jornalista brasileiro tem a oportunidade de estar onde o fato aconteceu ou acontece, ele despreza a chance de fazer um jornalismo diferente, abordando um novo viés. Ele segue a cartilha e faz mais do mesmo. |