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Qual a origem da notícia?

Rogério Cardoso

Nem sempre todas as matérias de um jornal impresso são derivadas de pautas criadas internamente no periódico. O caderno Internacional do O Estado de S. Paulo é um típico exemplo desse fato no jornalismo.

Com informações adquiridas diretamente de agências de informações mundiais como Reuters, AFP, AP e EFE, o Estadão leva ao seu leitor notícias de todo o mundo. Quando se utiliza deste artifício, logo ao final da matéria é citada a fonte (agência) na qual a notícia foi adquirida.

Em meio a tanta informação, será que as notícias apresentadas no jornal realmente são verdadeiras? As notícias escolhidas pelos jornalistas para compor o caderno realmente são as mais importantes do dia? O periódico simplesmente copia a notícia das agências para as suas páginas? Essas são algumas questões que este artigo se propõe a discutir.

O caderno Internacional varia de três a quatro páginas por dia. Os fatores que definem a extensão são justamente a quantidade e relevância das notícias divulgadas pelas agências e pelos correspondentes especiais em vários países. Geralmente, as matérias de destaque são escritas pelos correspondentes da empresa. Pequenas notas são incorporadas às matérias. Esses dados são fornecidos pelas agências de notícias e servem para enriquecer ainda mais o conteúdo apresentado pelo repórter especial.

Mas quem define se as notícias apresentadas são realmente as mais relevantes do dia? A resposta é simples. O Estadão. Conforme citado logo no início do artigo, o jornal se baseia em várias agências e no que elas têm a oferecer de informação para compor suas páginas. Notícias de teor político parecem ter preferência nas edições, sendo apresentadas nas maiores matérias. Problemas sociais e catástrofes naturais também ganham as páginas do impresso. Vale ressaltar que os fatos mais importantes do dia são citados pelo Estadão, seja em matérias de destaque ou em pequenas notas.

Nos últimos dias, o caderno trouxe várias notícias sobre as eleições na Argentina, cuja vencedora foi Cristina Kirchner, esposa do atual presidente daquele país, Néstor Kirchner. As matérias foram escritas ora por correspondentes, ora baseadas em agências de notícias.

As matérias com informações das agências são fáceis de identificar. O país no qual o fato ocorreu é descrito logo no início da matéria, assim como em matérias pautadas na empresa, quando o nome dos jornalistas aparece também no início.

"Ampliar o Mercosul é prioridade, diz presidente eleita". Este é o título da segunda matéria do caderno Internacional, de 31 de outubro de 2007. A fonte descrita pelo O Estado de S. Paulo trata-se da agência AP (Associated Press). No entanto, grande parte das informações apresentadas no decorrer da matéria não se encontra na versão da agência. Sendo assim, percebe-se a edição da informação por parte do periódico com base em outras fontes.

A edição de 24 de outubro deste ano trouxe dentre suas notícias, uma matéria sobre a posição da secretária do Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, com relação ao Irã e Iraque. As agências Reuters e AP foram citadas como fontes. Neste caso, o Estadão apenas editou as informações das duas agências para enquadrar o texto dentro das normas da empresa.

O Estado de S. Paulo trabalha com informações selecionadas segundo seus critérios. Tratando-se de um impresso reconhecido nacionalmente e que tem como público o leitor mais adulto, o Estadão busca informá-lo com assuntos mais intelectuais. As fontes utilizadas, no caso das agências, são mantidas diariamente, mostrando ao leitor que é possível confiar nas informações ali tratadas. Qual a origem da notícia? Tanto faz. Sejam pelos correspondentes internacionais ou pelas agências de notícias, as matérias do Estadão apresentam os fatos mais importantes do dia, sem exceção. O que talvez possa interferir nessa relevância é o espaço que o jornal dará à notícia.