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Direto da redação

Dayse Hálima

Enquanto bombas cruzam os céus do Líbano, Faixa de Gaza e de Israel, Noel destrói a Caribe e acontecem enchentes no México, a imprensa brasileira diz fazer o seu papel. Mas será que esta cobertura jornalística é de qualidade?

Seria injusto dizer que os bons profissionais brasileiros de jornalismo internacional são principiantes. O Brasil tem experiência e competência, mas alguns veículos de comunicação não assumem essa postura.

A Folha de S.Paulo é pautada pela "preguiça". O jornal tem alguns enviados especiais. Toda edição, a editoria Mundo tem reportagens de diversos lugares e os assuntos são, geralmente, a pauta do momento. Ainda assim, muitas matérias são "da redação com agências internacionais". Pobre. Assim que pode ser caracterizada a seção internacional da Folha.

Relapso

Em quatro dias, foram publicadas 28 reportagens internacionais "da redação".  A tempestade tropical Noel está destruindo o Caribe e o repórter sentado em uma sala "seca" em São Paulo, parafraseando uma agência de notícia. Agentes da ONU são acusados de abuso sexual na missão Caribe. E o jornalista está aqui. Paradinho, esperando a próxima nota das agências.

Todos os fatos são apresentados por um único olhar. O leitor não tem a chance de saber o que acontece do outro lado, o que a outra parte envolvida tem a dizer ou o que, realmente, as famílias caribenhas estão passando. A Folha acaba sendo relapsa, acaba "brincando" com a cara de seus leitores, seus clientes.

Mas, se estes leitores forem atrás de informação na concorrência; vai dar na mesma. A Folha não está só. O descaso com o leitor é o mesmo em outros jornais. Virou epidemia a "parceria" entre agências de notícias e jornais de "credibilidade".

Mal intencionado

A real intenção do jornalismo internacional é proporcionar a interação entre países. É trazer a notícia de lá para cá. É realizar um intercâmbio via folhas impressas. Mas isso não acontece. Primeiro porque baseado em agências de notícias, nenhum jornal consegue ser sério e ter credibilidade. E também esse "material jornalístico" é falho. Não existe um trabalho de investigação e, portanto, é deveras superficial.

O jornalismo internacional da Folha de S.Paulo ainda está engatinhando.  Junto com o jornalismo em geral.  Mas a Folha sabe e pode fazer uma editoria internacional de primeira qualidade. Mas é aquela história: editores e donos de jornal cismam que jornalismo internacional não é de interesse do povão.  E acabam destruindo a oportunidade de fazer diferente, inovar e sair na frente.