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A Época e o código

Rizza Matos

O Código de Ética dos jornalistas diz no artigo sete que "o compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos, e seu trabalho se pauta pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação".

Apuração é a primeira fase de qualquer texto jornalístico. Na faculdade, o enfoque é ainda maior sobre este período da confecção da notícia. A verdade é o produto do jornalismo. Ela transforma realidades e vidas.

E como provar a verdade sem fontes? É quase impossível. Quase. No entanto, é comum ler e ouvir notícias que não revelam suas fontes, ou pior, só mostram uma versão, um lado da história. Voltando ao Código, existe um artigo que diz que o jornalista pode resguardar a "origem e a identidade de suas fontes de informação". Está certo, em um país que transborda corrupção, ninguém vai querer aparecer, pois quem quer ver o seu nome envolvido em um escândalo?

Mas alguns meios de comunicação usam desse recurso de "proteger" a fonte e publicam inúmeras matérias sem comprovação. É o caso da Época. Uma revista de peso no mercado, mas que deixa algumas lacunas, sobretudo, a respeito da origem da notícia.

Os fatos

De vez em quando, a Época traz umas notícias exclusivas. Na edição de número 494, foi publicada uma reportagem sobre como Marcos Valério (pivô do mensalão), estaria usando um documento supostamente falso para chantagear o governo petista. O interessante é que a matéria não revela se o documento é verdadeiro ou não. E a única fonte consultada é o próprio Marcos Valério. Parece mais uma entrevista. Os repórteres não tentam provar a denúncia. A reportagem é enganosa, ela não é investigativa, como sugere a manchete da capa. Ao contrário, ela é histórica, conta sobre os "feitos" de Valério, e convenhamos – todo mundo já sabe.

Pior do que uma fonte em uma reportagem de quatro páginas, é uma reportagem que apresenta as fontes, mas não dá "nome aos bois". Na reportagem sobre o fim da empresa aérea BRA, a revista foi atrás de especialistas que mostrassem qual a razão da falência. Eles consultaram os dirigentes das empresas, alguns analistas de aviação civil, mas lá no meio da matéria, apareceu uma declaração remetida por um analista financeiro, no entanto, não aparece o seu nome.

Os mesmos repórteres que conseguiram entrevistar o vice-presidente da companhia, não apresentam o nome do analista. É no mínimo, uma irresponsabilidade. Por que não dizer o nome do sujeito? A declaração não iria prejudicá-lo. É complicado, pois parece que eles inventaram o analista. Uma única fala que coloca em questão a veracidade de toda a notícia.

Outra matéria diz sobre a candidatura à cadeira de presidente, do atual governador do Estado de São Paulo, José Serra. É bom nem citar o grande número de adjetivos usados na matéria. Ela retrata o perfil de Serra e dos concorrentes do seu próprio partido, como o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e sobre o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Para fazer a reportagem são consultadas apenas duas fontes, o próprio Serra, e um deputado federal, José Aníbal (PSDB-SP), que defende a candidatura do governador paulista. O jornalista é um formador de opinião, ele tem que deixar o leitor decidir no que vai acreditar.

É uma covardia apresentar um lado da moeda, lado este, que só é mostrado por que há interesses de muitos. Porque a revista não procurou o Aécio Neves ou o Alckmin? São lacunas que devem ser observados pelo leitor, afinal, é ele que compra a revista, e por isso, é seu dever cobrar a imparcialidade dos fatos.