A partir do dia 16 de dezembro de 2007 serei uma jornalista. A formatura é a realização de um sonho, mas ao mesmo tempo é assustador. Dá medo. Esse medo não é de gaguejar "ao vivo" na TV, de escrever alguma palavra errada, de dar uma crise de riso no rádio, de ficar desempregada... nada disso. É medo de não conseguir fazer "a diferença" no mercado de trabalho. Medo de ser apenas mais uma jornalista e não "a jornalista". Medo de ter uma decepção no trabalho e a paixão pela profissão desmoronar.
Toda criança sonha em ser professora e comigo não foi diferente. Lembro-me que uma vez pedi de presente de aniversário um quadro-negro e uma caixa de giz coloridos. Foi uma alegria poder "dar aulas" pela primeira vez. Depois que cresci veio a vontade de ser psicóloga. Caí no "jornalismo" de pára-quedas. Uma noite, emburrada com minha mãe, fui fazer a inscrição para o vestibular e ao invés de escolher Psicologia, optei por Jornalismo porque as aulas eram ministradas em um campus perto da minha casa. Foi "amor à primeira aula".
Muitas vezes, quando falo que estou formando no curso de Jornalismo, ouço a piadinha: "Hum, vai pra Globo, hein?". A sociedade costuma ligar jornalismo com televisão, jornalismo com status, jornalismo com ser famoso e sair nas revistas de fofocas. Porém, não fazem isso por maldade e sim porque atualmente é muito comum ser jornalista e participar de uma publicidade, ser jornalista e participar de uma novela, ser jornalista e posar para revistas masculinas, e porque não, ser jornalista e apresentar um programa de fofoca?
Se a resposta pra essa mistura de profissões é que o jornalismo não dá dinheiro, que o mercado de trabalho está escasso e cada um se vira como pode... Mentira! O mercado de trabalho tem inúmeras vagas para o jornalista que é jornalista e essa profissão dá dinheiro.
É a profissão de jornalista e apenas jornalista que a gente aprende nos quatro anos de faculdade: ser jornalista por inteiro, ouvir os dois lados da história, ser imparcial, divulgar a notícia corretamente, o que é ser ético, o que pode ou não fazer, proteger as fontes...
Se alguém me perguntar o que eu espero do mercado de trabalho, minha resposta é nada. Eu não tenho impressões nenhuma com relação ao mercado de trabalho e nem espero coisa alguma dele. Ao contrário. É o mercado de trabalho que "espera" algo de mim e tem "impressões" a meu respeito. Afinal, no meu curriculum vai constar que eu me formei no Unasp. Um dos centros universitários mais bem conceituados do País, e que essa nova profissional tem uma bagagem de conhecimento enorme e sede de fazer jus à profissão. Ele, o mercado de trabalho, sim. Espera que eu faça a diferença, que eu seja jornalista por inteiro. Que coloque em prática cada aula que eu tive, cada jornada que participei, cada palestra que assisti.
Se o tempo voltasse, faria tudo de novo: brigaria com minha mãe e escolheria, por pura birra, o curso de Jornalismo somente para poder ter novamente a sensação que tive na primeira aula. "Me achei. É essa a profissão que quero pra sempre".
A partir do dia 16 de dezembro de 2007 serei uma jornalista. Não importa em que tipo de mídia, empresa ou em que cidade vou trabalhar. Serei uma jornalista, e nada mais.
Nome: Iale Clítias Azevedo Oliveira
Nascimento: 04/06/1981
Experiência Profissional: Artigos publicados no Observatório da Imprensa (2005), Canal da Imprensa (2005 e 2006) e revista Adventista (2006). |