Quinto poder, salvador do mundo, prostituta de luxo, mantenedor da liberdade, palco do povo, trampolim da verdade. Há muitas definições para a profissão da qual estou prestes a receber o diploma. Talvez por saber que todas essas qualificações lhe são atribuídas foi o motivo pelo qual escolhi me entregar para esse ofício. Mas ao longo de quatro anos de faculdade percebi que, para os ambiciosos, o jornalismo realmente é o poder. Para os mais idealistas podemos até salvar o mundo. Para os mercenários somos apenas profissionais do lucro. Para os escravos, a libertação. Para os sem voz, a voz. Para os embusteiros, o jeitinho brasileiro. Para mim, tudo isso.
O jornalista tem a capacidade de assumir diversas formas ou características de acordo com o momento, com o interesse do proprietário do veículo, com suas próprias convicções e, em alguns casos, de acordo com o interesse do público. Somos profissionais camaleônicos. Nos adaptamos às situações com facilidade em busca da verdade. Mas partindo do pressuposto de que a verdade é soberana e absoluta sobre a prática jornalística, essa conclusão pode ser considerada uma blasfêmia de um foca delirante.
Não há nenhum delírio, muito menos blasfêmia. Concordo que a verdade é a máxima da nossa profissão. E saio daqui com o ideal de buscá-la sempre. Mas e quando o meu ideal não for o ideal do meu chefe? Ou talvez as situações me impeçam de divulgar a verdade para proteger a própria verdade? Parece confuso, mas foi o que ouvi em sala de aula e me preparei para encontrar lá fora.
Saio dos bancos da faculdade para um mercado voraz, seletivo, rápido, exigente, competitivo e apesar de tudo isso me sinto preparado para realizar as tarefas que me forem delegadas, até chegar ao nível de poder delegá-las. Pois da mesma forma que nos transformamos, para efeito de adaptação, também crescemos e aprendemos.
Cumprindo as pautas durante o curso, me deparei com a verdade como ela é. Sem o esfacelamento da edição, para depois chegar à redação e entender que é preciso mutilar o texto para que ele fique legível. Aprendi que a crítica lapida as arestas agudas do ego e constrói um senso analítico cauteloso e prudente. E que muitas vezes é preciso se calar para ser entendido.
Permito-me ainda parafrasear Isaac Newton numa expressão que adotamos como lema da turma. Assim como meus colegas, acredito que se cheguei até aqui foi porque me apoiei sobre os ombros de nossos mestres. É bem verdade que em uns mais do que outros, mas todos com o mesmo grau de importância. Sei também que saio da condição de estudante para preencher as fileiras dos desempregados. Oxalá não por muito tempo.
Mas a luta está só começando. Um soldado só sai para a batalha depois de anos na base de treinamento que trazem as cicatrizes provocadas pelos erros. E elas são eternas para lembrá-lo de que é falível. Sinto-me assim. Um jornalista forjado na escola dos mestres, que me permitiram fazer para errar, ser corrigido e aprender.
Deste modo, por tudo que vivi e conheci não posso chegar a outra conclusão se não a mesma do fabuloso Gabriel Garcia Márquez. "Pois o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e torná-lo humano por sua confrontação descarnada com a realidade. Ninguém que não a tenha sofrido pode imaginar essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida. Ninguém que não a tenha vivido pode conceber, sequer, o que é essa palpitação sobrenatural da notícia. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderá persistir num ofício tão incompreensível e voraz, cuja obra se acaba depois de cada notícia como se fora para sempre, mas que não permite um instante de paz enquanto não se recomeça com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."
Nome: Paulo Mondego
Nascimento: 31/10/1982
Experiência Profissional: Natural de Brasília – DF, chegou a São Paulo em 2004 e escolheu o Unasp para receber o diploma de Jornalismo. De lá para cá, atuou como secretário de redação no Canal da Imprensa, e em fevereiro de 2007 deixou o veículo para assumir a chefia de redação da Agência Brasileira de Jornalismo. Durante os quatro anos de curso, Paulo atuou em diversas mídias como repórter, articulista, produtor e apresentador. Já participou de coberturas ao vivo como produtor do programa Celebração Jovem para a TV Novo Tempo e o Simpósio Nacional de Universitários Cristãos para a Rádio Unasp. Também foi apresentador do programa ABJ Notícias, entrevistas para podcast, e têm textos publicados nos sites Observatório da Imprensa e Paraná-Online do grupo Paulo Pimentel. Seu último feito na carreira jornalística, ainda como estudante, foi dirigir e produzir um videodocumentário sobre a história de Ruanda, na África Central, onde esteve por 15 dias gravando entrevistas com autoridades e especialistas sobre a história do país. O resultado foi o lançamento do filme Memórias Feridas – o renascer de uma nação que agora concorre a prêmios no Brasil e na Espanha. Paulo Mondego concluiu a faculdade com mais de três mil horas de estágios registradas. |