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Garra de foca

Cígredy Neves

 

Mostrar para os estudantes de Jornalismo quais os desafios do mercado de trabalho. Esse é o objetivo desta entrevista que o Canal fez com a jornalista Lêda Maria, formada em 2006 pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo – Unasp.

Hoje, Lêda trabalha como repórter no Sistema Perizes de Comunicação, com retransmissão dos sinais da Globo (Mirante) e SBT (Difusora). Ela relata as suas experiências, as dificuldades, a capacitação que recebeu na faculdade e como os formandos podem se preparar para o mercado.

Canal da Imprensa – Por que você decidiu fazer Jornalismo?

Lêda Maria – A princípio, meu sonho era fazer Medicina, Enfermagem, Farmácia ou qualquer outro curso ligado à área. Cheguei a fazer vestibular para Farmácia, na Unip de Goiânia, onde morava na época, e até passei, mas não fiz a matrícula a tempo.

Então, perdi a chance de entrar na Unip e comecei a trabalhar com vendas de livros com uma equipe de estudantes. Todos estavam arrecadando fundos para estudar no Unasp e estavam entusiasmados. Acabei me apaixonando também pela idéia e agora o próximo passo, e um dos mais difíceis, seria escolher o curso. Como todos sempre diziam que eu era comunicativa, decidi fazer Comunicação Social. Antes do início das aulas, ainda estava meio temerosa, se era isso mesmo que eu queria. Mas quando tivemos a primeira aula de criatividade, com o professor Martin Kuhn, tive certeza que ali estava o meu futuro. No começo, confesso que só via no jornalismo o glamour da TV, mas logo meus horizontes foram se abrindo para um mundo incrível de diversidades nesse ramo. Foi assim que se iniciou a minha história de amor por essa profissão.

CI – Enquanto estudante, como você imaginava o mercado de trabalho?

Lêda – Qualquer coisa parecida com um monstro de sete cabeças. Não sei se todo estudante tem essa mesma impressão, mas eu imaginava o mercado como algo distante, meio difícil de se chegar e quase impossível de continuar nele. No segundo ano de faculdade, estávamos fazendo uma monografia e na pesquisa de campo visitamos o jornal O Estado de S.Paulo. Quando entrei ali e vi cada profissional na sua editoria, a correria da rotina, uma redação de verdade, pensei: "O mercado é tudo o que um dia eu idealizei". Uma universitária diante de uma empresa como essa não podia ter outra impressão. Tudo parecia mais majestoso do que de fato era. E para completar o pacote, entrevistamos o jornalista Eduardo Martins, autor do Manual de Redação e Estilo do Estado de S.Paulo. Ele assegurou que jornalismo é um mercado de foice. Só depois que tive mais contato com a realidade de fato entendi que as coisas não eram tão absurdas quanto pareciam.

CI – A sua visão mudou depois de formada?

Lêda – Muito. Quase todos os que povoam as redações já passaram pelos bancos da faculdade e tudo aquilo que aparenta ser grandioso, nada mais é do que o mesmo que aprendemos no curso, agora colocado em prática. Hoje eu sei que qualquer empresa, grupo ou emissora pode ser alcançado por focas que sabem de onde estão vindo e em que lugar querem chegar.

CI – Quais as principais dificuldades que você enfrentou assim que saiu da faculdade?

Lêda – Na faculdade existe uma união muito grande no sentido de lançar um projeto adiante. Se for para fazer um telejornal, todos se reúnem. O editor ajuda o repórter, um corrige os erros, outro dá uma idéia. Mas no mercado é bem diferente. O pensamento que impera é o seguinte: eu faço o meu trabalho, você que se dane. A competição atrapalha a produção. Muitos querem puxar o tapete do colega para garantir um furo de reportagem ou simplesmente para não sentir seu emprego ameaçado. E me acostumar a esse tipo de ambiente tem sido um desafio para mim.

CI – Você acredita que saiu da faculdade preparada para o mercado?

Lêda – Na área em que eu estou atuando, uns 70%. A parte prática dos dois últimos anos da faculdade me deu suporte para quase tudo o que eu preciso no meu trabalho. Encarar a câmera, saber planejar e improvisar perguntas, ter perspicácia para "arrancar" da fonte ou entrevistado tudo o que ele pode proporcionar, tudo eu aprendi nas carteiras da faculdade. É claro que sempre surgem situações novas, mas nada foge das regras ensinadas no curso.

CI – Os estágios na faculdade contribuíram para a sua entrada no mercado de trabalho?

Lêda – Com certeza os estágios me deram condições de encarar o mercado com mais tranqüilidade, mas não foram eles que abriram as portas para minha entrada no mercado.

CI – Conte quais experiências você já adquiriu neste ano como jornalista profissional.

Lêda – Muitas. Eu trabalho em uma empresa de comunicação que transmite o sinal da Globo, como repetidora, e do SBT, como produtora. Somos uma empresa com um número reduzido de funcionários. Cada profissional é uma espécie de "faz tudo", o que triplica a aprendizagem. Na Mirante, afiliada da Globo, alteramos apenas a grade de comerciais e precisei me inteirar da grade da programação nacional, duração das propagandas e até faço roteiro de comerciais. Na Difusora, afiliada do SBT, nosso trabalho é de produção da programação, preenchendo os horários de programas locais. Eu faço o esqueleto da reportagem, vou para as ruas em busca do material, gravo tudo, volto para gravar o off e acompanhar o trabalho dos editores.

CI – Que recado você dá para os formandos em Jornalismo de 2007 do Unasp?

Lêda – Um foca deve ter garra, ousadia e força de vontade. Se as coisas não forem fáceis no início, tudo bem. Mas as melhores vitórias são aquelas que vêm como resultado de uma dura luta. O importante é estabelecer metas, afinal, quem não sabe para onde vai, qualquer lugar é o destino. E boa sorte no tão aguardado mercado!