O videodocumentário Memórias Feridas – o renascer de uma nação, produzido por Larissa Jansson, Joelmir Melo e Paulo Mondego, conta sobre a exasperada divisão entre os hutus e tutsis e o genocídio em Ruanda. Com duração de 50 minutos e legendado em inglês, português, espanhol e francês, é possível ter uma amostra das conseqüências do ódio e rivalidade. A capa do DVD traz o convite para quem pretende assistir "você conhecerá dois extremos: a crueldade e o perdão".
Sem muitas delongas, Memórias Feridas – o renascer de uma nação é, sobretudo, um videodocumentário humano. É humano porque transpassa a perplexidade diante das cáusticas verdades vividas pelos ruandeses. É humano porque também deixa aflorar a esperança desse povo, assim como a imagem de abertura do vídeo, que sintetiza sua áurea: uma planta brotando do solo árido.
Ao observar as pessoas que assistiram a um trecho da produção, durante a apresentação do TCC, ficou notório que o trabalho cumpre alguns objetivos em relação ao público. Em vinte minutos conseguiu prender a atenção, comover, arrepiar e marejar olhos de lágrimas. Mas não pense que o vídeo tende ao sensacionalismo, chocando com imagens. A realidade que foi vivida é mostrada, mas de maneira a informar e ilustrar. Não faz o uso desses momentos de dor para a provocação de emoções penosas dos telespectadores, ele comove, mas propõe a reflexão consciente.
O documentário costura uma colcha de retalhos, ligando um depoimento ao outro. A partir de relatos toda a história é contada e por quem a viveu, literalmente na pele. Esta perspectiva nos aproxima da história dos ruandeses. A mortandade vivida em Ruanda nos dá a dimensão do que uma "política de ódio" pode causar em um país, assim como comentou Larissa Jansson na apresentação. Ela também lembrou que sua maior dificuldade durante a elaboração do documentário foi separar o profissional do pessoal: "Teve momentos em que chorei copiosamente."
Para Joelmir Melo, além da pré-produção e produção, uma importante lição foi quanto à prática jornalística. "Não ter medo, preguiça ou vergonha" de conversar com todas as pessoas, garantiu uma importante fonte para o trabalho.
O documentário foi elogiado pelos professores da banca de avaliação. A não utilização das locuções em off trouxe uma "característica inovadora" e muito admirada nos festivais da categoria, comentou a professora Valéria Angeli, orientadora do projeto. O professor Wagner Cantori pontuou o trabalho como "profissional". Já o professor Ruben Holdorf, também orientador do projeto, citou a flexibilidade do grupo ao ter mudado o foco da pauta de acordo com as oportunidades que surgiram em Ruanda.
Mais do que contar a história de uma época dolorosa, o documentário também registra o surgimento e a construção de uma nova história deste país. Um tempo de esperança, ressurgimento e crença no futuro. Traz a carga da certeza de que o passado não pode ser esquecido, mas deve ser perdoado, selando então uma nova era. |