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Sucintamente

 

Confesso que refleti muito, antes de escrever este texto. Fez-se necessário repensar a validade das palavras. Redefinir importância e sensatez. Creio que em momentos assim, quando se apresentam caminhos distintos a seguir na exploração do assunto, deve-se optar por aquele que leva rapidamente ao âmago da questão. Em síntese, fatos claros mirados no ponto. Afinal, (relembrando a citação da canção de Cássia Eller lida em um dos artigos), muitas ou poucas, palavras são: "palavras apenas, palavras pequenas, palavras…palavras ao vento". Economizemos.

Ponto 1. A maioria das colunas, seja em revistas ou jornais, tem autores pré-determinados, que podem, ou não, tratar exclusivamente de um assunto. Por isso as conhecemos como: "Coluna do Diogo Mainardi", "Coluna do Mário Prata", "Coluna do Millor", "Coluna do Stephen Kanitz" e por aí vai. Logo, pressupõe-se que a coluna represente a opinião da referida pessoa a respeito de determinado assunto. Sendo assim, ela é um artigo, de forma alguma uma matéria. Um artigo não requer, necessariamente, fontes primárias. Ele exige apenas um parecer munido de argumentos lógicos, fundamentados. A relação fonte/repórter, nesse aspecto, não produz a reflexão proposta para discussão nesta edição.

Ponto 2. Um julgamento sem testemunhas é absolutamente inviável. Uma matéria sem fontes também. Um advogado não senta na cadeira da testemunha para depor a favor de seu cliente. Ele é o intermediário entre as acusações e a verdade dos fatos. Da mesma maneira, o jornalista nunca é fonte de sua matéria. Ele é o mediador dos fatos. Ele procura os especialistas. Estes é que são as fontes. William Bonner, Marcos Losekann, Cid Moreira, certamente, não são as fontes de suas próprias matérias.

Ponto 3. "Conotação", como já comentei anteriormente, é um termo que significa "dar sentido de". (Quem ler o ponto acima perceberá que minha declaração tem conotação corretiva).

Ponto 4. Enquanto estava na academia, um professor me ensinou sabiamente que a crítica agressiva, ferrenha, muitas vezes é ilógica e demonstra falta de conhecimento do autor sobre o assunto. Prezem o equilíbrio. Quando nos esmeramos muito em "meter a boca" em determinado assunto, apresentar argumentos agressivos, pode ser que tenhamos deixado de olhar para alguma direção do caminho.

Ponto 5. Achei a idéia da reportagem interessante. Bem humorada, criativa. Mas, particularmente, creio que falhamos em produzir uma reportagem. O texto, bem escrito por sinal, seria perfeito como artigo. No entanto, creio que o assunto deveria ter sido tratado convencionalmente. Procurando declarações de quem pudesse contribuir na discussão do tema da edição. Uma reportagem requer, necessariamente, fontes. Afora isso, reitero, o texto está muito bem escrito.

Parabenizo os textos "Escondido entre aspas" (por demonstrar senso crítico e pesquisa), "Olhos ocultos" e "Profissionalismo ou ação do governo?" (pela agradabilíssima escrita e fluidez), "A notícia direto da fonte" e "Não beba da mesma fonte" (pela ótima condução do tema e escrita). A entrevista ("De cara limpa") foi tratada de maneira clara e pertinente. O texto "O que aconteceria se fosse comum mentir para a fonte" foi humorado, inteligente, brilhante. Quero elogiar também nossas colaboradoras do curso de Publicidade. Os três textos ("Deuses na linha de produção", "Quase todo mundo sai ganhando", "Marcas da fama") foram excelentes.

Quero terminar comentando um caso. Conta-se que Sêneca, conhecido filósofo que viveu no início da era cristã, tornou-se tutor de Nero no ano 49 d.C. Os dois, com certa freqüência, praticavam artes marciais em um clube exclusivo. Numa dessas ocasiões, Sêneca aceitou enfrentar Nero numa luta amigável. O filósofo, que lutava melhor, não foi condescendente com o pupilo como outros jovens amigos costumavam ser. Consequentemente, ganhou a luta. Nero, num primeiro momento, ficou enraivecido. Foi então que Sêneca perguntou: "Preferiria que eu te deixasse ganhar?". Frente à falta de resposta do rapaz, o filósofo acrescentou: "Vencer sem dificuldades é triunfar sem glória".

Todos nós, grande parte das vezes, preferimos ser arruinados por elogios à ser salvos por críticas. Posso citar uma infinidade de veneráveis homens que foram acintosamente criticados durante suas vidas. Gandhi, Rui Barbosa, Abraham Lincoln, Martin Luther King, Libero Badaró, Madre Teresa. Esses e muitos outros têm seus nomes cobertos de glória porque conseguiram "vencer as dificuldades", não "vencer sem dificuldades". Olhando para o que fizemos este semestre, alegro-me em perceber que estamos vencendo as dificuldades. Evoluímos muito, e isso é o mais importante. Quero crer que tal evolução alcançará todos os aspectos da vida profissional. Da capacidade intelectual e do discernimento crítico até a humildade para se receber uma crítica. Compreendendo, primeiramente, que neste caso, não é pessoal.

Vamos nos concentrar no trabalho, na luta, ainda que inglória. Tenho muita fé no caráter instrutivo de nossa relação. "Ninguém é tão grande que não posso aprender, nem tão pequeno que não posso ensinar". Até o próximo ano!


Andréia Moura
ombudsman@unasp.edu.br