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Podcasting, RSS, weblog. Esses nomes lhe eram familiares há três anos? Para o jornalismo também não. Hoje, a internet está sugando todas as mídias para si, sem ao menos esperar que jornalistas e público despertem para a avalanche. Aos jornalistas, cabe a empreitada industrial de produzir conteúdo multimídia em ritmo alucinado. Aos consumidores da imprensa resta selecionar as opiniões e informações duvidosas daquelas que ainda conservam veracidade. Às universidades, treinar jornalistas que acompanhem o ritmo das redações.
A obrigação do jornalismo online é se atualizar em tempo real e esbanjar dinamismo, o que reforça a função da internet de unificar todas as mídias. De acordo com o ombudsman da Folha de S.Paulo, Mário Magalhães, a tendência do jornalismo é ter na internet a plataforma unificadora de todas as mídias. "Há muito tempo o jornalismo não é mais só impresso, é mais do que isso. Acabou o seu monopólio de transmitir informação. Isso é ótimo, pois pressiona os profissionais e deixa o jornalismo mais preciso, mais fiel aos fatos", explica.
A migração do impresso para o online não assustou os leitores. Pelo contrário, a maioria destes já considera a qualidade das duas mídias equivalente. A Universidade de Missouri consultou cerca de 660 editores de jornais diários e 300 leitores de jornais norte-americanos para pesquisar a opinião deles sobre notícias locais veiculadas na internet. Quase três quartos dos entrevistados confiam nas notícias online da mesma forma que nas impressas.
Mas a grande faceta da web é o seu caráter independente, que garante espaço para que qualquer internauta possa dar seus pitacos. Um estudo feito pelo portal de buscas Technorati revelou que 120 mil novos blogs chegam à internet todos os dias. Matheus Siqueira, estudante de Jornalismo no Centro Universitário Adventista de São Paulo – Unasp, mantém um blog jornalístico há dois anos. O veículo mantém uma média de 4 mil acessos mensais, mas somente em novembro, o blog recebeu 10.200 visitas. "Acredito que daqui para a frente, os jornalistas devem criar seus próprios veículos através das ferramentas da internet. A dificuldade é conseguir se sustentar disso, já que não gera retorno financeiro algum", analisa o estudante.
Dentre as novas formas de divulgar conteúdo jornalístico, o podcasting é o que mais se destaca. O nome surgiu da fusão das palavras broadcasting (que significa transmissão em português) e iPod (tocador de áudio e vídeo portátil da Apple). Os podcast são arquivos de áudio e vídeo, que podem ser baixados para computadores ou tocadores portáteis. De acordo com uma pesquisa da Pew Internet and American Life Project, 29% dos donos de MP3 players do mundo já baixaram ao menos um podcast .
Outra tecnologia, a RSS, permite que o internauta seja avisado quando um site publica uma notícia de seu interesse. Somente o Yahoo News, portal jornalístico que investe nesta solução RSS, totalizou 24 milhões e 900 mil visitantes em junho, superando qualquer outro portal norte-americano.
Lugar garantido
Outro ponto relevante é o fato de que essas novas tendências também atingirão a assessoria de imprensa. Mas afinal, assessor de imprensa é jornalista ou não? Há quem diz que sim, outros defendem que não. A verdade é que em 2006 foi aprovado pelo Senado a Lei Complementar (PLC) 79/04, que atualiza as funções exercidas por jornalistas, dentre elas o cargo de assessor. Então, essa pendenga já está resolvida. O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo de Andrade, acredita que assessoria de imprensa é o destaque do jornalismo atual. "É um segmento em constante evolução e que hoje emprega um terço da nossa categoria", revela.
Assessoria de imprensa é uma das áreas que mais cresce dentro do jornalismo. Segundo o jornalista Siloé de Almeida, que trabalha como assessor de imprensa há mais de 10 anos, as empresas precisam de um plano estratégico de comunicação interna e externa. "O administrador tem dois caminhos: ter um departamento de comunicação com assessores, pessoal de publicidade e de relações públicas ou contratar serviços de uma empresa de comunicação, e aí, com certeza estará o assessor de imprensa", declara.
A comunicação corporativa (outro nome para a assessoria) também teve que se adequar à evolução tecnológica. No entanto, aqui a história é outra. A internet não "tirou" espaço destinado à assessoria. Pelo contrário, a rede mundial de computadores é aliada dos assessores, pois além de ser uma ótima fonte de pesquisa, a web auxilia o processo de comunicação das empresas. Para Almeida, o único desafio é se atualizar. ""O assessor de imprensa tem que conhecer a linguagem e as necessidades do meio chamado internet e alimentá-lo também com notícias", ressalta.
Âncoras a arrancar
Mário Magalhães afirma que o melhor do jornalismo online, incluindo os weblogs, continua ancorado às grandes empresas de comunicação tradicionais. "O jornalismo de internet no Brasil hoje ainda é a transmissão do jornalismo feito em outras mídias, principalmente da impressa e da televisiva. O que vemos é a reprodução do que é feito em outras mídias, mas sem linguagem própria, adaptada", reclama o ombudsman.
E nessa trajetória de busca por uma linguagem própria, o conteúdo também deve ser questionado. "Não estou preocupado se minha reportagem vai estar no celular, na internet ou no papel. Se o jornalismo de qualidade deve ser ético, imparcial e preciso no papel, isso deve ocorrer da mesma forma na internet", retifica Magalhães.
Para o redator-chefe do Observatório da Imprensa, Luiz Egypto, o que faz diferença entre os conteúdos veiculados é a credibilidade e a qualidade da informação oferecida. “Em meio à superabundância de informação que existe hoje, o profissional tem que se diferenciar pela qualidade da informação que oferece”, destaca. Egypto completa que o para os jornais impressos com presença na web importa mais a audiência do que número de leitores.
Palavra-chave
Sobre o futuro só se pode afirmar que o jornalista que já está no mercado, ou está entrando nele, necessita de uma preparação para se adequar às transformações que estão assolando o mundo da comunicação. O formando Paulo Mondego acredita que está preparado para começar a carreira de jornalista. "Tenho limitações e essas serão superadas ao longo de minha carreira, mas julgo que fiz um bom curso e posso atuar nas diversas áreas do jornalismo com certa segurança para quem está apenas começando", salienta. Ele também enfatiza que as faculdades de comunicação têm que estar cientes das mudanças no formato da notícia e oferecer estágios para que os alunos se familiarizem com o jornalismo online.
O editor-chefe da TV Brasil, Roberto Piza, enfatiza que a maioria dos alunos sai defasada para o mercado de trabalho, por isso as escolas devem acompanhar as mudanças da profissão. "Os meios não tem obrigação de treinar esses profissionais", reforça Piza. Mas segundo Luiz Egypto , que lecionou por 27 anos no curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, tal preparação não acontece como deveria. "Na média, as universidades não conseguem acompanhar as mudanças e reagem numa velocidade menor do que a da realidade", relata o jornalista.
Sérgio Andrade complementa que essas novas tecnologias estão mudando o mercado da grande imprensa, mas essas transformações apresentam uma relativa defasagem, por isso o jornalista tem que ir além. "Mas o grande desafio não é apenas preparar-se para o atual mercado, mas acompanhar suas mudanças e capacitar-se para transformá-lo, questionando seus vícios e exclusões", enfatiza. |