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Abra a mente

 

Salve articulistas e leitores do canal!!

Cá estou novamente. E devo dizer: não venho só! Trago comigo alguns apetrechos que, creio, nos serão muito úteis este ano.  Uma sacola de boa vontade, uma bolsa cheia de constatações pertinentes, uma frasqueira com questionamentos necessários, uma garrafa PET de sensatez e bom humor, alguns vidrinhos de impertinência, ironia e conteúdos enfadonhos, dois ou três potinhos de paciência e psicologia barata. Por fim, como não poderia faltar uma vez que sou humana e predisposta a comportamentos comuns, trago também um malão de palpitelas. Estou pronta pra batalha.

Eu gosto de escrever. Gosto muito de ler o que os outros escrevem e, para falar a verdade, gosto ainda mais quando leio algo e posso dizer: esse “cara” escreve bem! Espere um minuto caro leitor, isso não é arrogância intelectual. É exatamente neste ponto que muitos se confundem e perdem oportunidades brilhantes de crescer. Escrever bem não é ter fluência de termos rebuscados, ser poeta, literato, filosofar com classe, nada disso. Para se escrever bem é preciso apenas ter domínio de 3 fatores. Língua, conteúdo que se quer abordar, organização de idéias. É a isso que me refiro quando classifico um texto de “bem escrito” ou “mal escrito”.

Não quero parecer chata e repetitiva, quero somente refletir sobre alguns detalhes. Em minha curta experiência de vida, concluí que existem duas coisas que impedem o ser humano de evoluir em qualquer aspecto. O medo e a arrogância. O medo, ao contrário do que se imagina, não torna as pessoas cautelosas, aprendizes. Este mal cega a mente para as oportunidades, embota o raciocínio, atrofia as possibilidades, acorrenta ao senso comum e consequentemente à mediocridade. É ele que nos impede de ir atrás da informação, de perguntar o que se deseja aprender, de ousar na reflexão, de questionar suposições e pressupostos. Logo, ele nos priva da chance de subir ao degrau seguinte.

A arrogância, por definição, é exagero. Exagero nunca fez bem a ninguém. Essa moléstia, a seu modo, também causa cegueira. Impede-nos de ver as coisas como realmente são. Não permite que admitamos nossos limites, nossa ignorância sobre algo, nossa inferioridade em relação a outrem. Nos faz detentores de falsa sabedoria, sapiência barata. Infestados por tal infortúnio nos é impossível adquirir conhecimento, uma vez que já acreditamos tê-lo. Preso a este sofisma não se pode evoluir e, quem não evolui, retrocede.

Por isso, para este ano proponho o seguinte: vamos purificar o diálogo, acelerar o aprendizado e lapidar o talento. A crítica reflexiva é o único canal, o único meio para se alcançar este fim. Mas para que ela resulte no esperado nos é necessário manter a mente aberta, livre do medo e da arrogância. Volto ao tópico inicial de nosso papo. Para se aprender a arte da boa escrita, para dominar os fatores básicos desta ciência, antes de tudo, é preciso se livrar de tais males.

Nossa relação existe para que haja crescimento, essa evolução se refletirá no conteúdo da revista. Deixo claro, como antes, que estou aberta a todos que me procurarem espontaneamente. Mantive diálogos interessantes com aqueles que fizeram isso no ano passado. Considero minha missão no Canal um aprendizado constante em via dupla.

Termino citando uma frase interessantíssima que li no texto “Confissões de um formando”, de nossa ultima edição: “aprendi que a crítica lapida as arestas agudas do ego e constrói um senso analítico cauteloso e prudente”. Então, caros amigos, vamos colocar a mão na massa e trabalhar com a cabeça aberta, porque como já dizia Einstein, “o único lugar onde sucesso vem antes de trabalho é no dicionário”.

Nos falamos em 15 dias.

Andréia Moura
ombudsman@unasp.edu.br