Dizem que uma boa ilustração, seja ela no início, meio ou na conclusão de uma apresentação soma pontos positivos no final. Se foi essa a intenção de Genival Mota em seu livro A caverna ilu-minada, o autor alcançou seu objetivo ao relatar no início de sua obra “A alegoria da caverna” também registrada por Platão, no livro A República. De acordo com o autor, ela “ilustra muito bem a situação do mundo contemporâneo. Encontramos-nos como que enclausurados, recebendo uma avalanche de informações e estamos com a cabeça imobilizada como os prisioneiros da caverna.”
Para Mota a caverna é a mídia, que torna seus moradores prisioneiros. Esses por sua vez são consumidores de informação. “Sem reflexão”, salienta ele.
No decorrer da leitura de 126 páginas, diga-se de passagem com um conteúdo muito bem diagramado, o leitor vai descobrindo o que cada detalhe ou personagem da “Alegoria da caverna” representa e convencendo-se que a postura ética dos meios de comunicação está cada dia mais escassa.
Repleto de citações de outros autores, que são usadas como um artifício para responder a várias questões, o livro acaba deixando ainda assim muitas indagações que provocam reflexão em certo sentido, mas que também se tornam maçantes. Claro. Posso ter nesse sentido me deparado com a “velha” afirmação feita por professores em sala de aula, de que jornalista ao escrever não faz perguntas e sim responde perguntas. Fica aqui minha indagação: Até que ponto as perguntas para reflexão aguçam o leitor a refletir? Cabe aqui a frase muito bem dita pelo professor Mota que “Quem quer trilhar o caminho do conhecimento tem que ter apenas uma certeza: a certeza da dúvida. Deve questionar as certezas”.
Com relação ao o uso do hífen, A caverna ilu-minada é para provocar segundo o autor a reflexão e o debate, “sobre se a mídia hoje se constituí numa caverna realmente iluminada ou apenas minada.” Para ele, esta mais para minada do que iluminada.
“Minada pela falta de seriedade no trato com a notícia; minada pelo sensacionalismo que está tomando conta de grande parte dos veículos de comunicação; minada pela superficialidade com que trata os temas de relevância para a sociedade; minada pela má formação de “profissionais” que atuam na mídia; minada pela forma de concessão dos meios eletrônicos – onde impera os interesses politiqueiros; minada pela ausência de senso crítico do consumidor da notícia; minada pelo jornalismo pautado nos interesses dos gabinetes e não pelas necessidades de uma sociedade democrática; a mídia está na realidade lançando sombras e não luz.”
Diante de tantas discuções e debates propostos pelo jornalista a leitura de sua obra faria muito bem não só para estudantes de comunicação e profissionais da área mas para a sociedade no geral que “abriria os olhos” e seria “ética” consigo mesma ao recusar uma mídia minada que até então desconhece. Ou se conhece, já foi por ela (a mídia), minada!
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