Não há qualquer dúvida de que começamos este ano com um pontapé certeiro de direita. A sétima arte sempre constituiu material infinito para análise. Não se diz por aí que a arte imita a vida? (ou será que é a vida que imita a arte?). Enfim... A vida, em macro-visão, poderia se definir como um oceano de conteúdos, possibilidades. Considero, após a leitura desta edição, que saio para a vida adicionada em conteúdo, satisfeitíssima em minhas expectativas, confrontada e surpreendida em certos pressupostos.
De tudo que li sobra-me apenas o prazer de comentar o brilhantismo de toda a escrita. A pertinência, sensatez, a fina ironia e o humor inteligente. O verdadeiro embasamento. O fato incontestável de que o material estampado durante estas duas semanas, serviu completamente ao objetivo proposto por este veículo. Fazer crítica que produza reflexão. A discussão caminhou por variados temas que, mesmo absurdamente distintos, aparentemente desconexos, entrelaçam o pensamento na tentativa de propiciar compreensão, fortalecer a opinião.
O que é mais importante: a teoria ou a prática? Teóricos da Comunicação se engalfinham incansavelmente com os defensores da prática sem que se encontre equilíbrio algum. De cursos assim, saem jornalistas que não entendem a profissão, tampouco sabem fazer o que se espera deles. Esquentam as cadeiras da redação e ocupam os telefones, apuram sem qualquer critério, escrevem sem qualquer certeza. Gente assim certamente não se preocupa, ou sequer se importa, quando a verdade vai de encontro aos interesses editoriais do veículo. Talvez por isso, a “velha guarda”, os que compreendem a essência da profissão, frente à tamanha decadência se encorajem a assumir riscos inacreditáveis em nome da busca.
Mas, quanto vale a vida? Vale a manchete do dia seguinte? A verdade vale qualquer preço? Não são poucos os exemplos dos que tomaram este caminho. Esse visível desequilíbrio, da vida numa visão mais ampla, essa inversão de valores, é que explica a insensatez (pura mediocridade) dos que investem trilhões em guerras, em extermínio, mas acham absurdo gastar 1% disso na reconstrução daquilo que seus próprios milhões ajudaram a destruir. São essas as mentes que ditam o rumo da humanidade? Que dominam o sistema? Que cometem absurdos objetivando proteger a soberania nacional, mas condenam ferozmente a “guerra santa”, a jihad? Existe diferença entre tais absurdos? Aos olhos expectadores do resto do mundo, certamente não. Imagens de tanta insanidade permanecerão como cicatrizes por longo tempo em nossas mentes.
O que sobra ao jornalista se perde o estímulo da “palpitação sobrenatural da notícia”? Ou pior, se ao descobrir o fato escolhe espontaneamente escondê-lo em nome do “bem maior”? Tal atitude só é útil para perpetuar a alienação em que muitos vivem. Por sinal, ao ler o texto “Superação Infantil”, achei pertinente lembrar que a geração de hoje vive alienada a respeito dos horrores cometidos durante a ditadura. É preciso ensinar, esclarecer, nunca esquecer, e o jornalista é parte essencial nesse processo. Outrora, na época referida acima por exemplo, a música foi uma arma poderosa contra o cerceamento da liberdade, dos direitos humanos. O cinema, desde Chaplin, sempre questionou, discutiu a história e a vida. E hoje? A onda de pirataria pode colocar fim a comercialização destas artes e conseqüentemente a seu papel formador? Como classificar, delimitar, o que é direito e o que é crime numa sociedade que (não voa) se “teletransporta” rumo à era digital. Como se dará esta reorganização social?
Realmente, vocês me fizeram pensar. E não creio que esse detalhe se deu apenas comigo. Essa edição foi uma flecha direta ao centro do alvo. Esse é o caminho, esse é o espírito, a essência! Parabenizo os textos “O mercado é o que as universidades formam”, “Os fronts de guerra”, “Guerras estúpidas” e “Cicatriz indigesta” pela fluidez, embasamento e sagacidade na reflexão. Também ao autor de “O que aconteceria se o cinema brasileiro ultrapassasse Hollywood?”, por compreender e usar admiravelmente a ironia.
Temino comentando um detalhe pequeno (que nem de longe embaça o brilho dessa edição). Só para não perder a oportunidade, e pra que vocês saibam que fui eu mesmo quem escreveu este texto. “Conclusão final”, meus caros, é uma expressão que insulta o português. “Subir para cima”, “descer para baixo”, ou seja, se é conclusão já é final. Enfim, questões, (cito um professor e amigo), “nada que altere o valor da moeda americana”.
Encontro vocês em 15 dias.
Andréia Moura
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