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Mais que um boletim de ocorrência

Rosemeire Braga

Uma garota de apenas cinco anos morre após ser arremessada pela janela do apartamento onde mora seu pai, na zona norte de São Paulo. Minutos depois foi encontrada morta. Assassinada por desconhecido(s) ou pelos pais?
Esse é mais um crime, em destaque na mídia, que ainda não foi desvendado até o presente momento. Diariamente crimes como este ocorrem em nosso país e muitas vezes nada de "anormal" é descoberto.

Notório pela investigação minuciosa dos fatos e a precisão das informações, o jornalismo investigativo se destaca entre as "faces" jornalísticas. Suas técnicas são muito utilizadas no conhecido jornalismo policial. Muito comum em veículos impressos mais populares, o jornalismo policial tem seu espaço também nas mídias "elitizadas" como o jornal Estado de S.Paulo.

As técnicas de jornalismo investigativo são utilizadas por esse veículo, afinal, apurar, e investigar são itens imprescindíveis para se escrever uma boa matéria policial.

Os jornalistas do caderno de cidades do Estado (onde se encontram as matérias policiais) assinam seus nomes, e quase sempre são os mesmos que realizam esse tipo de texto. Vários assuntos relevantes são apresentados e temas em voga estão sempre presentes nessa editoria.

Em 18 de março deste ano, no caderno cidades do Estadão, Laura Diniz e Rodrigo Pereira assinaram a matéria "E. vendeu seus bens para obter crack". Matéria não muito extensa, mas muito informativa. Os repórteres usaram de técnicas investigatórias para explanar o assunto. A matéria não ficou superficial, no entanto poderia ser mais explorado o assunto.

 Já na edição de 22 de março, o jornalista Marcelo Godoy assinou a matéria "Polícia Federal aponta que 80% da renda do PCC tem origem no tráfico". De maneira muito informativa, minuciosamente abordou todo o assunto contextualizando e apresentando ao leitor alguns "jargões" do meio criminalístico. Ele cita, por exemplo, "... a outra é o esquema de distribuição mantido pela cúpula da organização, o chamado bicho-papão..." ou "..entre os líderes do PCC o tráfico é tratado simplesmente como o "progresso"...". Com muitos detalhes ele leva o leitor que entra em contato com o assunto pela primeira vez a compreender sem dificuldade a situação presente e o contextualiza de como funciona no mundo do crime.

Chama à atenção na editoria do dia 26 de março a matéria "Tatuou caixão após assassinato". Além de apresentar informações bem estruturadas, o repórter Marcelo Godoy abriu um box para apresentar uma entrevista com o assassino. Essa matéria teve chamada na capa sem contar que a foto passou tanta informação como o texto, uma "sacada" excepcional para a valorização da mesma.

Em 30 de março Godoy também escreveu a matéria "PCC fatura 511% a mais em dois anos".  Nota-se que em cada edição, este repórter apresenta as matérias policiais de maneira mais aprofundada. Nesta edição (30), além de uma pequena chamada da matéria na capa do jornal, na página C1 ele abordou quase uma página do jornal sobre o assunto e na página C3 o assunto volta à tona com detalhes, concluindo-se na página C4. Além de ser um assunto de interesse da população, o veículo promoveu esse enfoque porque o repórter apresentou uma investigação e dados que não poderiam ficar de fora da matéria e do conhecimento do público.

Na edição do dia 31 de março, Godoy escreve mais sobre o PCC. Com o título "PCC quer se infiltrar na política e financiar campanhas eleitorais", praticamente toda a página C1 foi ocupada pelo assunto e ainda teve continuidade na C3(deixando espaço apenas para as publicidades). Um infográfico enriqueceu ainda mais a matéria e a mesma teve chamada na capa da edição.

Outros repórteres como Bruno Tavares, Eduardo Reina, Rubens Santos, Rodrigo Pereira, Felipe Oda e Laura Diniz escrevem no caderno cidades do Estadão. Nem sempre as matérias do caderno são destaque na capa do jornal, mas para aqueles que gostam de uma leitura policial que vai além de uma simples "cópia dos boletins de ocorrência das delegacias", como encontramos em muitos jornais, o Estado de S.Paulo proporciona esta leitura.

Jornalismo policial vai além de uma simples informação de um boletim de ocorrência. É caminhar a segunda milha e investigar e revelar aquilo que possivelmente não se tornaria conhecido de outra maneira.