Comemorar oito “aninhos” tendo como leitores 76% do seu público alvo, neste caso as classes B, C e D não é pra qualquer um. Para muitos um “case” de sucesso lá dos pampas, para outros um exemplo de jornalismo sensacionalista. O “pequeno” ou seria “grande” guri aniversariante do mês, é o Diário Gaúcho. Sim, em pauta mais uma vez, o jornalismo popular, ou melhor, o jornalismo policial do jornalismo popular do Rio Grande do Sul.
O tablóide de linguagem simples e também regional que circula de segunda a sábado na grande Porto Alegre tem um colorido especial. Refiro-me aqui as cores utilizadas para sua visualização, mas também, a três chamadas que quase sempre estão presentes em sua capa. Cabe aqui citá-las: celebridades do momento. Nesse caso, foto de mulheres com pouca roupa, em posses sensuais. Não dá pra esquecer o futebol. Para gaúchos, o “velho” e “eterno” grenal. A ênfase deste artigo, no entanto, é para a editoria intitulada Ronda Policial. Essa, diga-se de passagem, está entre as três mais lidas do jornal, conforme pesquisa publicada pela RBS (Rede Brasil Sul), grupo ao qual o jornal pertence. “Sem reservas”, trás matérias sobre violência, crimes, drogas, segurança, investigação, justiça, roubo e acidentes.
A editoria que conta com três repórteres fixos também aproveita materiais de outros jornalistas do Grupo RBS entre eles do Jornal Zero Hora e Rádio Gaúcha. As matérias trazem a assinatura do repórter o que para o editor de polícia, Plínio Nunes, “é sempre motivo de orgulho”.
Atenção especial na hora de buscar informações e escrever aos números. Datas, idade, quantidades e distâncias, são enfatizadas na matéria. Dois fuzis calibre 7.62, 50 PMs e dez viaturas, seis pistolas, 1.826 munições dos mais diversos calibres, 10,4 kg de maconha, 1,1 kg de cocaína, 4,5 kg de crack, 150 kg de fios telefônicos, 800 kg de cabos de cobre. Pode-se perceber que no quesito números o jornal não deixa a desejar. Atenção aos detalhes, maior credibilidade. Pode ser?
Ainda sobre o texto
“Ela tinha três ferimentos à bala, estava amordaçada, dedos cortados com alicate e parte dos órgãos à mostra. O corpo estava em avançado estado de decomposição”. Não é filme de terror! É parte de um texto de uma repórter do jornal. Isso mesmo! Uma repórter e não um repórter. Esclarecimentos a parte, que frieza, objetividade e precisão fazem parte dos textos escritos pelos seus repórteres. Para alguns mestres do jornalismo, indispensável.
Nítido também que a violência, os crimes e as mortes estão quase na sua totalidade, relacionados ao tráfico de drogas ou ao usuário da mesma.
Palavras mais freqüentes
Traficantes, criminosos, bandidos, ladrões, suspeitos provocam tensão. Assusta, apavora. Intimidam suas vítimas. Cometem assassinatos, homicídios. Contam quase sempre com a participação especial de algum comparsa. E nem sempre é possível há apreensão de ambos. De drogas, no entanto, sempre à apreensão mesmo em meio a tiros ou tiroteios.
Outras observações
No que se refere ao fotojornalismo, as fotos da edição do dia 28 de março merecem destaque especial. A mesma, aguça a criatividade do fotojornalista.
O jornal que é feito para aqueles que dispõem de “pouco tempo” trás um resumo da notícia após o titulo de cada matéria. Este é um recurso “bem bolado” para despertar a curiosidade e leitura do restante do texto. Todavia, suas chamadas de capa já seriam suficientes. Guri com alma de monstro - Gangues das japas, o terror das lojas – Escrava sexual do crack são algumas delas.
“Só não há identificação das pessoas envolvidas nas matérias caso haja riscos de sofrerem algum tipo de retaliação”, comenta o editor de policia do jornal, Plínio Nunes. “Temos muito cuidado em não expor o repórter a situações de risco. Em caso de matérias em locais perigosos, tomamos todos os cuidados e, dependendo do caso, evitamos uma ida do repórter ao lugar sem que ele tenha a devida segurança”, garante.
A partir de um trabalho de observação do repórter, seguido de investigações cuidadosas e especialmente pela contribuição do grande número de leitores, Nunes vê a oportunidade de conseguir o tão esperado “furo” de reportagem. A exclusividade da notícia, no caso do Diário Gaúcho e compartilhada com os demais jornais do grupo.
Às vezes simples, em outras mais completo. Superficial ou aprofundado. Participativo. Em um contexto geral observativo. É assim, que o jornalismo policial do Diário Gaúcho faz a festa em meio aos leitores. A data do aniversário é o próximo dia 17 e não dá pra esquecer de parabenizá-lo!
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