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...George Bush desse um golpe de estado?

André Leite

- Atenção! Não esqueça de entrar em contato com o Departamento de Integração Divisória de Bens para tornar os Estados Unidos da América uma nação mais justa.

A propaganda, com uma foto de George Bush apontando o dedo de forma inquiridora para quem lesse o anúncio, era a prova palpável da revolução maluca que acontecia nos “states”. Confirmada a vitória de Barack Obama sobre o candidato republicano para ocupar a Casa Branca, Bush decidiu que aquela não era uma situação benéfica para os Estados Unidos. E tentou provar isso em um pronunciamento televisivo em rede nacional:

- Cidadãos norte-americanos, a vitória de Obama nas eleições presidenciais oferece um risco para a segurança de nossa nação. Como todos sabem, ele tem ascendência árabe. Isto é notável em seu sobrenome, que é muito semelhante a do grande inimigo deste país, Osama Bin Laden. Notem bem as semelhanças: Osama,com “esse”, e Obama, com “bê”. É praticamente óbvia a ligação entre essas duas pessoas. Apenas uma letra os diferencia. Sendo assim, digam ao povo que fico.

Ninguém entendeu nada. Ainda mais a parte do “digam ao povo que fico”. Aí, Bush teve que voltar em rede nacional, horas depois.

- Cidadão norte-americano. Quando digo que há um perigo iminente e que, para o bem geral da nação, eu devo “ficar”, quero dizer que não vou sair daqui. Não saio da Casa Branca. Daqui não saio, daqui ninguém me tira.

Aí o povo entendeu. E se revoltou. Na verdade, só ficou sem entender a origem das frases de impacto do agora presidente-ditador. Uma revista de fofocas é que respondeu a última questão:

GEORGE BUSH ANDA INTERESSADO NA HISTÓRIA E CULTURA BRASILEIRAS

Dom Pedro Primeiro e a marchinha de carnaval da década de 1950 estavam presentes na cabeça de Bush.

Mas o que estava acontecendo de verdade era uma espécie de insanidade político-mental do presidente-ditador. Depois de dizer que Obama era próximo de Bin Laden, acusou o partido Democrata de estar escondendo armas de destruição em massa em algum lugar do planeta. Decidiu que o esconderijo era na Venezuela e eliminou o partido concorrente e o país sul-americano. Ficou com o petróleo.

Só para constatar, Hugo Chávez foi encontrado em um buraco minúsculo num casebre localizado na periferia de Caracas.

Os estadunidenses e quase toda a comunidade internacional estavam abismados com a situação. Um regime ditatorial estava imposto na nação que, aparentemente, oferecia o maior cenário de liberdade no planeta. Mas a revolta aumentou quando Bush deixou de pesquisar a cultura brasileira e começou a ler Marx e Engels.

Fez outro pronunciamento:

- Norte-americanos. Precisamos nos transformar em algo mais que soberanos. Devemos nos tornar mais justos. E uma nação mais justa só poderá se solidificar sob um regime político que não incentive a competição e sim a igualdade. Estudei a filosofia do comunismo e percebi que ela faz sentido. No entanto, é preciso relembrar que anos atrás, os soviéticos não souberam aplicar de forma eficaz este regime de justiça. Mas, agora, juntos, nos estabeleceremos como exemplo de igualdade para todo o planeta. Seremos comuns em bens e alegrias.

Aí o povo se revoltou. Na verdade, não todos, porque quem não tinha nada saiu no lucro, e um considerável lucro. Para oferecer um maior apoio aos carentes, Bush, espelhando-se em um companheiro sul-americano, criou o projeto Hungry Zero. Teve gente que gostou.

Mas, como a maior parte estava revoltada e com os ânimos exaltados, Bush teve que conseguir o apoio militar. Exército, marinha e força aérea norte-americana receberam aumentos salariais e aumentaram o apoio a Bush.

E as coisas correram dentro do esperado por algum tempo. Divisões de terra, imóveis e outros bens foram sendo distribuídos entre gritos, empurrões e alguns tiros. Mas foi quando Bush mexeu no estômago do norte-americano, fator que tem uma ligação imensa com a sua cultura, que a situação saiu do controle.

Estudando um pouco mais sobre regimes alimentares (Bush andava estudando diversos assuntos há algum tempo), o presidente-ditador resolveu lacrar e fechar as portas de todos os restaurantes de fast-food dos Estados Unidos, inclusive o Mc Donald´s. Erro irreparável. As multidões se juntaram e começaram a gritar revoltadas por todo o território norte-americano, como uma grande torcida de futebol fanática;

- Ei, Bush, cadê o nosso hambúrguer? Ei Bush, cadê o nosso hambúrguer?

O pedido falava sobre comida, mas soou como impeachment. Na verdade, não poderia ser impeachment porque o regime não tinha democracia suficiente para que algo assim acontecesse. Mas os gritos soavam como o indício de que uma guerra civil poderia voltar a acontecer no território yankee.

Bush até tentou reverter à situação pedindo apoio para o povo. Na verdade, ele achava que a maior parte dos norte-americanos o apoiava. Surpreendeu-se quando pediu, pela televisão, que seus apoiadores saíssem às ruas vestidos com as cores da pátria: azul, vermelho e branco. Aqueles que tivessem roupas com estrelas também poderiam usá-las. Foi uma escuridão total. Quase todos os americanos usaram preto no day after.

Para tristeza de Bush, os militares também vestiram preto. Mesmo com altos salários já não agüentavam ver vários familiares sofrendo. Contrariando todas as suposições de que militares tem coração de gelo, depuseram Bush e o enviaram para o exílio na ilha de Santa Helena. Escolheram a ilha por já ter sido o local de exílio de outro imperador, Napoleão.

E Bush ficou por lá, comendo uma dieta saudável e em companhia de seus novos livros. Agora, estudava a história e cultura japonesa.

E os norte-americanos puderam voltar ao sistema capitalista de curtir a vida. Com dinheiro e hambúrgueres se sentiram satisfeitos.