Em 1998, quando o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, teve o seu caso extraconjugal exposto para a sociedade, muito se pensou que seu futuro como representante daquele país estava com os dias contados. Após passar por um processo de impeachment, saiu ileso da acusação e terminou seu mandato à frente da Casa Branca. Hillary Clinton, então primeira-dama, perdoou o marido pelo deslize. Já Monica Lewinsky, causadora da “escorregada” de Clinton foi demitida e caiu no esquecimento pouco tempo depois.
Este caso é o escândalo sexual mais famoso de tantos envolvendo políticos norte-americanos.
Este artigo se propõe a recordar alguns deslizes dos representantes americanos durante suas gestões. Com finais felizes ou nem tanto, os casos foram expostos pela mídia, obtendo repercussões distintas. Segundo Gay Talese, um dos pais do jornalismo literário e ex-repórter do The New York Times, em entrevista à Folha de S.Paulo, a imoralidade dos políticos gera a imoralidade da imprensa.
Os casos de irresponsabilidade política, com base no social, parecem brotar na sociedade norte-americana. O leitor já recordou o caso Bill Clinton e Monica Lewinsky logo no início deste artigo. Casos anteriores a esse pouco foram divulgados pela mídia, sendo preciso o envolvimento de uma personalidade em ascensão para dar início à perseguição de políticos pela mídia. Para Talese, há 30 anos esse tipo de notícia não seria abordada pelos jornais. “Se você está no ramo de publicar jornais, tem que publicar o que é considerado notícia. É que hoje em dia, tudo é notícia”, justifica.
Durante os últimos anos, vários escândalos sexuais envolvendo políticos do “alto escalão” norte-americano têm vindo à tona através da imprensa. Confira abaixo uma breve relação de casos:
Randy Cunningham – segundo a rede de TV ABC, o então deputado republicano foi encontrado em companhia de prostitutas em um hotel de luxo no Havaí. As despesas foram totalmente pagas por um empreiteiro norte-americano.
Mark Foley – a renuncia em setembro de 2006, após 12 anos de Congresso nos EUA, foi decorrente às acusações de ter enviado e-mails de conteúdo sexual para menores de idade. O interessante do fato é que Foley presidia na Câmara dos Representantes um grupo que defendia menores desaparecidos ou explorados. Pouco tempo depois, um ex-estagiário confessou ter mantido relações sexuais com Foley.
Larry Craig – anunciou sua renúncia em setembro de 2007, após três mandatos, sob a acusação de ter assediado um policial à paisana no banheiro de um aeroporto nos Estados Unidos. Perdeu o apoio da população e do próprio partido, confessando seu ato posteriormente.
Eliot Spitzer – o governador de Nova York era considerado a mais inflexível e implacável encarnação da ética, segundo Veja. Em 2004, estourou uma rede de prostituição e endureceu as leis no estado sobre os homens que pagavam por sexo. Por ironia do destino, o feitiço virou contra o feiticeiro. O “Cliente 9”, como era conhecido na Emperor’s Club VIP, empresa que gerenciava garotas de programa, renunciou ao cargo de governador em março deste ano.
David Paterson? Bom, o substituto de Spitzer ainda não possui nenhum escândalo como governador. Casado há 15 anos, assumiu que já traiu a esposa por várias vezes.
Para representar força e compreensão à frente da sociedade durante seus anúncios, os políticos aparecem nos palcos juntamente com suas esposas. Elas, nem sempre com ares de compreensão, ajudam a aliviar a situação constrangedora pela qual seus maridos passam.
Ao que parece, a sociedade norte-americana continua atenta aos deslizes de seus representantes. Em parceria, a imprensa não tem suavizado nas investigações para descobrir os segredos de seus governantes. Como Talese observou, hoje qualquer coisa é notícia. Mas seria realmente necessário todo o alarde por conta das “escapadas” que alguns políticos têm em suas vidas privadas? Caso fossem com pessoas relacionadas à política, sim. Caso contrário, não interferindo na gestão política, não. Pecando pela redundância, hoje qualquer coisa é notícia. Teria a sociedade norte-americana tornado-se imoral? Acredito que não. Talvez quem tenha se tornado seja a mídia.
Uma aposta para quem será o próximo a estampar as capas dos principais jornais do país? Talvez, David Paterson seja uma boa escolha. Ou quem sabe não aparece nada sobre Hillary Clinton numa possível vingança contra Bill? Barack Obama adoraria poder contar com esse fator.
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