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Política do espetáculo

Patrícia Matter

Os fachos de luzes são intensos e varrem a multidão que se aglomera ao redor do palanque de discursos. Um a um vão se destacando os rostos iluminados dos jovens que se amontoam na expectativa. Os espectadores não se cansam, os brados de boas vindas não se calam e enfim, após um breve discurso seguido de um anúncio empolgado “Ele é meu marido!” bradado por Michelle Robinson, surge o queridinho do “futuro do país”. Ele desfila em linha reta sobre o palco em forma de passarela distribuindo acenos e abraços à multidão que o saúda com murmúrios e brados de admiração. Além do carisma Barack Obama também é bom de papo e anda investindo nos jovens eleitores com a intensão de adquirir também o voto de seus familiares.

Obama tem se destacado na cobertura da mídia americana. Segundo Pesquisa do Project for Excellence in Journalism, o candidato ocupa 69% da atenção das rádios, TVs e internet. Logo após, fica a Democrata Hilary Clinton, com 58% da cobertura da mídia.

Os pré-candidatos disputam à vaga a casa branca e a atenção da mídia, exibindo perfis característicos: entre os Democratas, Obama é do estilo bonitão, boa pinta, arranca suspiros das mulheres, sendo preferido da classe média baixa e dos jovens. Hilary, em segundo lugar, é a ex- primeira dama dos estados Unidos, morou oito anos na casa branca e sempre preferiu a classe mais favorecida. Em terceiro lugar, com 28% da cobertura jornalística e com o peso extra de ser classificado por alguns como velho demais para a presidência, fica o republicano John McCain, 72 anos, dividindo a concorrência com o colega de partido Michael Blumberg que com apenas 2% da cobertura foi considerado "desaparecido do radar midiático".

O empurra-empurra

Aproximando-se a escolha dos candidatos definitivos as eleições presidenciais, intensifica-se a corrida e a troca de acusações entre os concorrentes. Enquanto o senador por Illinois, Barack Obama, que nem sempre é feliz em seus comentários se equilibra como número um do ranking midiático, a senhora Clinton encarrega-se em cutucá-lo a cada segundo, usando os pontos questionáveis dos comentários do colega-rival com o intuito de gerar polêmicas e reduzir o ibope da concorrência. Rebatendo as acusações, Barac Obama ou responde a altura usando as desculpas da candidata contra ela mesma, ou desconversando o assunto.

Um dos pontos mais recentes e de maior destaque no troca-troca de críticas dos candidatos democratas é a semelhança nas propostas de campanha. Segundo a Folha de S.Paulo, no debate ocorrido na ultima quinta feira no Texas, os candidatos passaram horas tentando explicar suas diferenças na linha de campanha. Porém acabaram apresentando as mesmas propostas. A candidata Hillary chamou Obama de plagiário, afirmando que ele representa a “mudança que você pode xerocar”. Obama contradisse as acusações, deixando claro que os dois democratas “não devem se colocar para baixo, mas levantar o país”.

Mantendo a pose

A série de brigas na corrida eleitoral e a interferência da mídia podem trazer pontos negativos aos candidatos, como uma possível antipatia do público ou o descrédito dos eleitores. Um dos pontos questionados pelos meios de comunicação seria a reação dos eleitores diante do súbito interesse de um candidato por uma classe social, que em “outros tempos” não lhe despertava simpatias.

Não é fácil manter a pose e o perfil de “boa pinta”. Ao mesmo tempo em que a mídia massageia o ego e valoriza, ela também destrincha e evidência os passos em falso dados pelos candidatos. Exemplo disso foi a perseguição eminente enfrentada por Barack Obama. A mídia vigiou desde seus antecedentes legislativos até sua relação amigável com o polemico líder muçulmano negro Louis Farra Khan.

Para suavizar os problemas relacionados a carisma do público, os políticos andam investindo alto em profissionais de comunicação que lhes ditam a postura a ser seguida, não somente diante dos diplomatas que lhes cobram melhorias e investimentos no capital, mas também em situações que lhes rendam a simpatia do público de classe média baixa. O candidato democrata de origem queniana anda utilizando-se da experiência do marqueteiro David Axelrod, especializado em tornar candidatos negros atraentes para grandes fatias do eleitorado. Axelrod coordenou a campanha de Deval Patrick , primeiro governador negro de Massachusetts, foi o responsável pela eleição deHarold Washington,primeiro prefeito negro de Chicago e ajudou a eleger  o próprio Obama nas eleições para senador em 2004.

Buscando alcançar a “graça diante dos eleitores”, os políticos também andam disputando o espaço enfrente as câmeras e lugar nos palcos dos programas de auditório que geralmente são freqüentados pelo público de classe menos favorecida, os que segundo Obama “Não acompanham os debates e os jornais”.

Enquanto a senhora Hillary caçoa no programa humorístico de Jay Leno algo relacionado a detalhes exorbitantes e inexistentes que acrescentou a uma visita feita à Bósnia em 1996, na qual afirmou ter passado por uma recepção conturbada devido à presença de francos atiradores, quando na verdade câmeras flagraram uma chegada pacífica e uma recepção calorosa. MacCain e Obama participam dos programas e fazem elogios ao comediante Jonh Stewart da CBS, conhecido por sua antipatia em relação aos conservadores.

Duas faces?

Ao mesmo tempo em que se torna uma das chaves para prender a atenção do leitor, os recursos técnicos utilizados pelos candidatos podem ocultar a verdadeira face dos candidatos. Para Paul Lewis, autor do livro "Cracking up: American humor in times of conflict" (Fazendo rir: o humor americano em tempos de conflito),o fato de os políticos disfarçarem seus fracassos utilizando o humor não é algo positivo. “Quando Hillary brincou sobre a história dos franco-atiradores na Bósnia, o que ela mostrou? Que estava disposta a mentir sobre seu próprio passado para se eleger e se as pessoas acham isso curioso, então você pode acabar com um presidente que não dirá a verdade quando a pedirem", insinua.