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Jornalismo errante, democracia em xeque

Ariel Cahen

É compreensível que, com o passar do tempo, alguns conceitos se tornem obsoletos. Ignorar isso, no entanto, é um erro. Um erro que, segundo James Fallows, o jornalismo norte-americano vem cometendo e que põe em risco a democracia americana. Essa é a tônica principal de Detonando a notícia – como a mídia corrói a Democracia Americana, uma ampla análise dos motivos pelos quais os americanos estão deixando a imprensa e a busca pela informação de lado.

Para Fallows, autor do livro, as instituições que passam por esse processo precisam reconhecer e corrigir suas falhas para poderem se reorganizar e evitar uma quebra. A mídia e o público, porém, reagem de maneira diferente ao mesmo estímulo. Para a imprensa, não há nada de errado com o trabalho que vem sendo feito por eles. Os leitores, por sua vez, não compartilham da mesma opinião. O resultado disso é um boicote silêncioso à imprensa, que a longo prazo pode ser bastante prejudicial, não só para os meios de comunicação como para o público em geral.

Ao ignorar a informação, o público fica desarmado. Despreparado para encarar as novas tendências, sem saber o que se passa em outros países e até mesmo na sua própria cidade. Fica, enfim, sem meios para tomar decisões políticas e escolher seus líderes. Como é que fica a democracia nesse cenário?

Em Detonando a notícia, Fallows busca explicar, de maneira simples e detalhada, onde moram os erros do jornalismo para justificar o fato de que, cada vez mais, os americanos estão deixando de ler jornais ou assistir aos noticiários.

Segundo ele, o jornalismo não é feito para a sociedade e sim para o próprio jornalismo. Os repórteres não procuram se aprofundar nos temas. Estão mais preocupados em noticiar polêmicas do que como um determinado evento afeta a população, por exemplo.

Além disso, o “resultado cínico e negativo” das coberturas políticas – herança do estilo criado por Joe McGinnis – é uma das principais razões das críticas do povo com relação à mídia.

Durante essa jornada, ele passeia por diversos temas do jornalismo contemporâneo, que vão desde como o dinheiro transformou a atividade jornalística em negócio até o equilíbro (ou não) entre informação e entretenimento. Fallows não economizou exemplos, descrições e citações. No entanto, apesar de o autor ter procurado ser bastante didático - argumentando quase que após cada afirmação - a leitura não é das mais fáceis, especialmente para quem não está familiarizado com o tema.