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“Veja”, é Obama!

Rosemeire Braga

O país considerado a maior potência mundial, está em campanha eleitoral para a presidência.  Depois do 11 de setembro, crises econômicas e incertezas, guerras e conflitos sociais. Tudo isso reflete em uma disputa acirrada para a presidência da república do país.

De um lado, os democratas Hilary Clinton e Barack Obama e de outro os republicanos John McCain e Mike Huckabee, disputam os votos para as eleições. Apesar do esforço dos republicanos, os democratas estão recebendo maior destaque na competição. A mídia tem dado cobertura aos fatos e como de costume, cada um dando uma ênfase no candidato que mais lhe apraz.

A revista Veja não realizou nenhuma reportagem de capa falando sobre as eleições americanas desde 04/07/07. No entanto, desde o início deste ano tem noticiado como andam as campanhas eleitorais dos candidatos.

Na edição de nove de janeiro de 2008, apresentou uma matéria (uma página) intitulada “ O massacre de Iowa”. Nesta, foi apresentado de maneira bem superficial a preferência dos eleitores deste estado e frisado que “ Hillary é vista como a candidata mais preparada para a presidência”, mas que os democratas de Iowa não querem  a senadora Hillary na Casa Branca.

No entanto, em 16 de janeiro o periódico apresentou uma reportagem com seis páginas falando sobre Obama. Com uma pequena chamada na capa com o título “Porque ele é a  grande esperança nas eleições americanas”, a matéria  intitulada “ O terremoto Obama”, destacou em duas páginas uma imensa foto do candidato, com expressão carismática e muitos jovens ao seu lado o apoiando.

Nesta edição Veja torna “explícito” seu favoritismo para com o democrata. Na página 57 ao se referir ao sucessor do presidente Georg W.Bush, o repórter Duda Teixeira afirma que “se for o jovem senador Obama, os EUA terão uma janela ainda mais ampla para arejar o ambiente intoxicado deixado por Bush e seus senhores da guerra”. E ainda complementa dizendo que “ele é um político raro, daqueles que o tempo só melhora”.

Na seqüência, nas páginas 60 e 61 é feito um infográfico sobre os pretendentes e seu ponto de vista sobre diversos aspectos políticos e sociais. De imediato, Obama é o primeiro apresentado e na página 62 com fotos de sua infância e informações diversas sobre o candidato.

Em seis de fevereiro a revista apresenta uma matéria intitulada “O herói republicano”, falando de John MacCain. No entanto, possui apenas duas páginas e com conteúdo superficial. Já em 13 de fevereiro, ela volta a falar dos democratas e com uma reportagem de quatro páginas (nas quais metade de duas páginas são fotos dos candidatos) com o título “As aparências enganam”. É afirmado que embora possa se comparar Hillary e Obama com os políticos brasileiros e mesmo que pareça que Hillary no Brasil é tucana e Obama petista, isso é um engano. Várias declarações sobre os candidatos foram apresentadas e novamente de maneira sutil Obama, na visão de Veja, tem mais “dignidade e sucesso”. No terceiro parágrafo da página 73 é dito que “na semana passada Obama faturava três milhões de dólares em um único dia (isso em arrecadação de doações financeiras), enquanto que Hillary tirava cinco milhões do próprio bolso para seu caixa...”.

De maneira bem construída, o veículo vai dando forma ao seu posicionamento e levando o leitor a ver o que propõe ser o ideal. Complementando, em vinte de fevereiro, Veja em duas páginas, apresenta Obama em uma foto de destaque ao centro da matéria e a intitula “Ele faz Hillary comer poeira” e à direita coloca uma foto bem menor da candidata. Toda a composição das matérias da revista favorece a supremacia do democrata Obama. A semiótica sempre passa ao leitor a imagem de Obama atuante, persuasivo e vitorioso, com mais destaque que os demais. As fotos não são pousadas, mas o contexto é sempre favorável para uma impressão de favoritismo. Em meio ao público, o enfoque das fotografias sempre se dá na expressão do candidato, e as cores azul e vermelha sempre estão associadas ao candidato.

 Com ou sem oportunidade de votar, o objetivo da revista é óbvio em relação a seu posicionamento sobre quem é o candidato que deve vencer as eleições. De maneira bem “sutil” a revista está dizendo: “Veja, é Obama!”