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| Verdades inconvenientes | |||||||
| Tales Tomaz | |||||||
“A teoria da evolução é comprovada cientificamente”. Essa é uma verdade inquestionável na cabeça da maioria das pessoas por causa da mídia, que faz o papel de uma ponte que liga a comunidade científica ao conhecimento popular. Mas, para uma minoria crescente, esse é apenas o dogma mais conhecido da “religião” moderna: o ateísmo. Estes ainda são poucos. O ambiente repressivo ainda tenta ocultar as vozes dissidentes, mas esta pode ser uma grande oportunidade para o jornalismo ampliar suas fronteiras e tratar o assunto com seriedade. Há algumas idéias a respeito de como a mídia retrata a teoria da evolução e o criacionismo. Os criadores de teorias conspiratórias dizem que a mídia faz um complô contra a Bíblia e, neste caso, contra o criacionismo – teoria do surgimento da vida que considera o relato do Gênesis bíblico como literal e verdadeiro. As coisas não são bem assim. Não dá para negar que, para boa parte da mídia, a evolução é “comprovada cientificamente”. Essa premissa afeta completamente a visão dos profissionais da imprensa sobre qualquer matéria científica. Mas é mais provável que a causa dessa distorção séria seja a falta de informação sobre o assunto, ao invés de um simples complô para destruir a fé na Bíblia. Parte dos jornalistas possui pouco ou nenhum conhecimento sobre a história e a filosofia da ciência. Assim, numa mistura de arrogância (em menor porcentagem) e ausência de conhecimento sobre a natureza e os limites do saber científico (em maior porcentagem), publica-se hipóteses científicas como verdades comprovadas a fim de angariar maior audiência. Os cientistas sérios reprovam essa prática. A verdade inconveniente é que a teoria da evolução não possui o status de lei irrevogável, como fazem parecer muitos jornalistas. Essa teoria, embora conte com a adesão majoritária da comunidade científica, tem de lidar com vários problemas epistemológicos e limites metodológicos. Além disso, o modelo evolucionista tem sido fortemente associado ao ateísmo materialista, condenando qualquer manifestação contrária a essas ideologias. Para entender melhor, quem se ergue contra a teoria está condenado a uma espécie de Inquisição da Idade Contemporânea. Dessa forma, que jornalista vai bater contra a “verdade” inquestionável? Ele nem sequer tem conhecimentos da área para poder rebater. Se ele se aventurar a ir contra o evolucionismo, está condenado à fogueira do século 21. Assim fica difícil ter espaço para outras opiniões. São raríssimas as vezes em que veículos populares expõem os conflitos e contradições que os próprios cientistas demonstram em seus debates. Essas discussões complexas vão, na melhor das hipóteses, para revistas acadêmicas e especializadas. Portanto, fica mais fácil entender porque o evolucionismo é transmitido para a população de forma tão impositiva. E a imprensa pode ter um papel decisivo ao abrir o espaço para discussões sérias a respeitos das falhas da teoria da evolução. Basta inserir em debate público os limites e problemas da busca pela verdade na ciência. Esses jornalistas, a princípio, serão chamados de traidores da comunidade científica. Mas isso não deveria ser problema, afinal, a imprensa está tão acostumada a lidar com verdades inconvenientes que poderia encarar mais essa. |
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