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| Leitura improvável | |||||||
| Anita Leite | |||||||
A escalada do monte improvável – uma defesa da teoria da evolução foi escrito por Richard Dawkins e publicado em português pela editora Companhia das Letras. Ex-professor de zoologia, cientista ocupante da primeira cátedra acadêmica para a divulgação científica da Universidade de Oxford e também autor de O relojoeiro cego, obra de mesma temática, Dawkins defende a teoria de Darwin através de metáforas e exemplos encontrados na natureza. Ao usar a metáfora do “monte improvável”, o cientista elucida a evolução das espécies como uma longa caminhada até o topo de uma montanha. A teoria da evolução é explicada nesta obra de maneira simples e acessível ao leitor leigo, mas fica longe de ser literatura científica. Repetitivo, Dawkins busca na natureza inúmeros exemplos de espécimes que, em sua opinião, apresentam características evoluídas ao longo das eras. Ele afirma ser a evolução o resultado de “sobrevivência lenta, cumulativa, passo a passo e não casual de variantes que surgem aleatoriamente”. Segundo Dawkins, qualquer animal que chegue à idade de se tornar um progenitor deve ser considerado bom na jornada evolutiva. Ao ocorrerem modificações aleatórias, há muitas chances de que esse bom desempenho seja prejudicado. No entanto, as poucas modificações que geram bons resultados são aquelas que tornam possível a seleção natural. Improvável é diferente de impossível, mas contrariando seus colegas de profissão, Dawkins defende que as asas das aves podem ter evoluído de simples pregas no tecido que formam a parte interna das patas de pequenos mamíferos saltadores. Defende também que macro-mutações ou deformidades conseqüentes de falhas genéticas podem gerar seres evoluídos e que trombas de elefantes se desenvolveram a partir da necessidade de alcançar alimentos presos nas pontas dos longos incisivos de marfim. Ante as objeções sobre o chamado design inteligente, o autor defende a idéia de que as espécies que apresentam características de aparente desígnio programado não são obras do acaso, mas de processos que criam resultados tão impressionantes quanto a idéia de um designer. Outra ferramenta utilizada pelo autor é um programa de computador que simula a seleção natural. A partir de um desenho computadorizado (biomorfo, como ele o chama), que representa um ancestral comum de uma espécie, “descendentes” são gerados. Esses descendentes são o resultado de cruzamentos de dados realizados entre os desenhos no computador. Ao selecionar descendentes, alguns caracteres são passados para a “próxima geração” e outros caracteres são completamente eliminados. Sendo assim, novos biomorfos, diferentes do primeiro, são criados com características singulares, mas com mesma origem (o equivalente à mesma embriologia em uma situação real). A ferramenta é bastante inusitada porque o autor deseja provar que na natureza esse processo “simplesmente acontece”, de maneira natural. No entanto, utiliza-se de um programa que necessitou previamente de um programador para criá-lo, ou seja, os novos “biomorfos” são apenas expressões de dados selecionados com antecedência. Além disso, faz-se necessário também um ser humano para manusear o software e escolher o descendente de cada grupo formado, o que não ocorre na natureza. Dawkins assume que essa ferramenta apresenta falhas, mas diz que “seguindo o próprio Darwin, usa a seleção artificial como modelo para a seleção natural”. O conceito da pré-adaptação (a idéia de que um órgão é empregado primeiramente em uma função e depois passa a ser empregado em outra) e o uso de exemplos (como o do sapo com olhos dentro da boca fotografado por um repórter canadense) fazem de Richard Dawkins um bom contador de histórias – algumas porém, ainda carecem de comprovação. |
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