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| Você decide | |||||||
| Miriam Lopes | |||||||
Na busca por um espaço em defesa da verdadeira história do surgimento do mundo, onde ciência e igreja andam em lados opostos, as razões da fé tomam postura diante das ovelhas negras que instigam a dúvida: até quando uma teoria se transforma em ideologia? Uma das mais célebres revistas de cunho científico faz parte da narrativa da trama da história do surgimento do mundo. Com um conteúdo extenso na área científica, a Galileu sempre se baseou nos dados fornecidos pela ciência e por tudo aquilo que possa ser comprovado em laboratórios. A análise de algumas edições entre 2003 e 2006 neste artigo procura mostrar a visão e posição do veículo diante de temas que não mostram uma previsão do fim do começo e nem do começo do fim da polêmica entre evolucionismo e criacionismo. Sempre desenvolvendo reportagens destacando a polêmica que o assunto pode causar, a revista procura deixar a opinião final para o leitor, conforme explica o secretário de produção Luis Francisco Senne. “Nosso objetivo é produzir matérias que estimulem os leitores a se posicionar criticamente frente a elas”, afirma. Um exemplo a que Senne se refere está na edição n.º 171, de outubro de 2005, na matéria cujo título é “Religião x Ciência”. É possível ver que de fato é o leitor que acaba ficando com “a bola da vez”. “Células tronco embrionárias e o surgimento do homem. Duas questões tão difíceis voltam a colocar dois dos conceitos mais básicos da raça humana em conflito. A seguir você irá entender o que anda acontecendo pelo mundo e poderá tirar suas próprias conclusões”, diz a revista. Diante disso, Galileu não se compromete com as conclusões dos leitores. Cunho evolucionista A forma como os assuntos são tratados apresenta o criacionismo como uma teoria retórica, mas as conseqüências da polêmica têm espaço garantido no periódico. O evolucionismo é visto como um grande auxílio no que diz respeito à genética, facilitando o trabalho do homem em estudos para clonar a vida. Na edição n.º 121, a matéria que ganhou o título “Criacionismo: a religião contra-ataca” mostra que falar de evolucionismo nos Estados Unidos fere o direito dos criacionistas que crêem que o mundo foi criado em seis dias. E ainda, que essas pessoas rejeitam o ensino nas salas de aula, nos museus e instituições científicas de teorias contrárias à Bíblia. “Soa para o brasileiro como algo medieval. Mas como? Se ele está nos Estados Unidos, o país mais avançado do mundo em termos científicos e tecnológicos?” Nem dá pra dizer que isso foi irônico. O modo como o assunto é abordado nas salas de aula é visivelmente uma das preocupações da Galileu. Isto se evidencia nas matérias: “A polêmica na sala de aula” (outubro de 2005) e “Movimento nos EUA é tão forte que interfere no ensino de ciência nas escolas” (janeiro de 2007). Esses são apenas alguns dos muitos títulos que revelam o quanto o periódico dá relevância ao assunto. Três é demais Só que não pára por aí. O cerco entre criacionismo e evolucionismo ganha mais um componente, que também vem sendo abordado pela revista, contrapondo os anfitriões: o Design Inteligente. Essa teoria acredita que as várias formas de vida surgiram abruptamente por meio de uma interferência inteligente com suas características já intactas. Para a Galileu, o medo de que o foco no ambiente escolar da ciência para a religião seja mudado, mostra que a idéia de que a vida originou de uma fonte inteligente não é apenas uma questão de fundamentalismo cristão, embora existam as razões da fé. Mesmo diante de tantos conceitos, os paralelos comprovados por cada teoria são mostrados pelo veículo que, embora tenha sua visão própria, busca cumprir o dever de analisar todos os lados dos diferentes credos. |
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