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| Poeira no vento não é resposta | |||||||
| Elkeane Aragão | |||||||
A série Poeira das Estrelas foi um documentário produzido pela Rede Globo e exibido de agosto a novembro de 2006 no programa Fantástico. Marcelo Gleiser, físico e astrônomo, foi o narrador, apresentador e co-autor do programa, que se inicia com um resumo do que as principais religiões e culturas do mundo dizem a respeito da origem do universo e da vida. O físico afirma sabermos “que o universo tem uma história e que surgiu há 13.700.000.000 de anos”. Esse é o modelo do Big Bang, a teoria da evolução. Segundo essa teoria, a explosão cósmica deu origem aos planetas, estrelas e a vida na Terra. Logo, ela é fundamental para entendermos quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Renata Ceribelli, Zeca Camargo e Glória Maria, apresentadores do programa na época, davam uma curta introdução em cada tema, prometendo a resposta definitiva para a maior das questões: como tudo começou? Nos primeiros episódios, Gleiser fala sobre os principais pensadores e físicos como Aristóteles, Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Tycho Brahe, Johannes Kepler, Isaac Newton, Albert Einstein. Além de entrevistar cientistas, astrônomos e físicos da atualidade ligados a esses pensadores do passado, Gleiser mostrou documentos originais e obras dos mesmos. Numa linguagem didática e acessível, o documentário conta com animações em 3D e micro simulações da teoria. A cada programa, os apresentadores introduziam em tom de expectativa e empolgação os títulos dos episódios e sempre lembravam que a grande questão sobre a origem da vida seria respondida. Mas, não é o que acontece. O documentário não traz nenhum fato novo. A vinheta do documentário simula a explosão cósmica em cor azul e se transforma nos títulos de cada episódio. Doze ao todo. Teria o objetivo de impressionar mais que responder? O próprio Gleiser lembra que a ciência exige detalhes e o método científico é de ver para crer. No entanto, ele afirma haver lacunas na teoria da evolução. Um tanto contraditório, pois o documentário é propenso à teoria. Não há menção alguma de que Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Johannes, Isaac Newton e Albert Einstein acreditavam em Deus. As fontes entrevistadas são cientistas e astrônomos adeptos do modelo Big Bang. E interessante é o fato de Gleiser definir o modelo como “a teoria moderna da criação do mundo”. Criação? Os dois últimos episódios da série abordaram a busca de novos mundos e de vida extraterrestre. Gleiser visitou os maiores observatórios do mundo no topo do Monte Mauna Kea, Havaí, a 4.200 metros de altitude. A entrevista com Scott Fischer, astrônomo renomado, revelou que até outubro de 2006 mais de 210 planetas foram descobertos. São planetas extra-solares, sem vida, de dimensões bem maiores que o nosso. Fischer disse que a tecnologia atual não dá possibilidades de encontrar planetas do mesmo tamanho da Terra, mas acredita que em dez anos a tecnologia terá avançado ao ponto de obter sucesso nas descobertas. Contudo, surgem outras perguntas. O que seres vivos de outros planetas têm a dizer sobre a origem da vida na Terra? É lá fora que obteremos as respostas prometidas desde o início da série? Gleiser declara que “olhando para o céu e enxergando mais longe, o ser humano finalmente chegou perto de uma resposta científica para a grande pergunta - como tudo começou?”. Mas se a resposta é que o universo surgiu de uma explosão cósmica e a poeira dessa explosão deu origem à vida, não satisfaz. Ao contrário do que o programa promete, as questões começam a partir desse ponto. Como e quando a vida surgiu, afinal? |
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