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Sobre política, cegueira e burrice

 
A confusão na casa do Tio Sam é realmente surpreendente. Bush (finalmente!!) entrega um país em recessão, metido em uma guerra inútil e interminável, com baixa popularidade (nos países em que isso conta alguma coisa) e sem crédito moral algum. Antes, fossem estes os maiores problemas. O pior de tudo, o inaceitável nessa bagunça infeliz, é a oposição, tendo nas mãos a faca e o queijo, ser incapaz de decidir quem deve assumir o pardieiro.

Isso até lembra o emergente Brasil, nas prévias de 2006, quando a direita teve pequena disputa interna para escolher o concorrente do digníssimo Lula. Mesmo aqui, nesta civilização tão subdesenvolvida, a corja politiqueira teve a sensatez, a inteligência, de perceber que uma contenda assim prejudicaria irrevogavelmente suas parcas chances de vencer. O que me leva a uma pergunta simplória, mas inevitável. (Mesmo considerando que o sistema eleitoral americano é absolutamente diferente do brasileiro), Que se passa com a elite política dos vastos territórios do “império”?

Nossa última edição conduziu uma discussão interessante a esse respeito. Fico feliz em dizer que li algumas análises realmente memoráveis. Outras nem tanto. Faço coro aos que explanaram sabiamente a situação insustentável em que se encontram as estruturas carcomidas do poder norte-americano. Tão apodrecidas por dentro que as fachadas brilhantes e moralistas já não as podem sustentar. Nunca foram tão nítidos os contrastes apresentados por políticos defensores do puritanismo. Estes bombardeiam prostituição, roubo e outros “pecados” em poderosos discursos dantescos, mas às escuras roubam, aliciam, “pecam” indiscriminadamente.

Isso não seria nada, se estivessem no Brasil. (Perdoem esta pilhéria fora de hora). Por isso, nada mais verdadeiro que a brilhante constatação lida no texto “O ópio dos americanos”.  A religião americana (um moralismo putrefado), o único parâmetro válido para se fazer política no país, é o ópio de seu próprio povo. A disputa de egos pelo poder, cega os democratas para o claríssimo caminho da vitória. Convenhamos, essa eleição se transformou em um combate de egos, influências e recursos. Não me surpreenderia mais ver o esquecido McCain comandando a Casa Branca nos próximos anos.

Passando para questões menos polêmicas, algumas coisinhas precisam ser enumeradas aqui. A começar pela reportagem, que falhou em colher depoimentos “in loco” e em conduzir uma escrita clara. Como carro-chefe de cada edição, essa tarefa precisa ser desenvolvida de maneira criteriosa. Ela deve instigar a leitura dos demais textos e não desacredita-los. No geral, nesta edição percebi mais vezes do que o passável, erros graves de concordância. É preciso atenção para combinar pessoa e verbo corretamente. Também encontrei alguns erros ortográficos que minha consciência me impede de deixar passar em brancas nuvens.

Minha gente, jamais confundam corromper com romper. A primeira é sinônimo de perverter, induzir ao mal, adulterar; a segunda se refere ao ato de desfazer, abrir caminho, ultrapassar. Enfrente, de enfrentar, quer dizer encarar algo; em frente, (ficar de frente, cara a cara), esse sim, pode ser usado na expressão “em frente às câmeras”.

A entrevista foi interessante, agregou conhecimento. Bem conduzida e bem escrita. Parabenizo os textos “Dois Gumes”, “O ópio dos Americanos”, “Perigosa indecisão”, “Quebre a perna presidente” e “Política do espetáculo” pelas análises e ótima escrita. Também ao texto “O político do sonho americano” que conseguiu traçar o perfil de Reagan de forma cativante.

Termino aqui, antes de o assunto se tornar entediante. Fico com política e povo brasileiro. Afinal, situação pior que politicagem cega é população burra. Neste país, ao contrário do que se passa atualmente no “império”, é preciso abrir o olho do povo, educar a mente, conscientizar. O povo é que é burro. Os políticos desta república meus caros, são os mais expertos do planeta, garanto.

Andréia Moura
ombudsman@unasp.edu.br