ABJ    |    ABJ Media Center    |    Canal da Imprensa    |    Diário do Campus    |    O Parcial
  home |
 
Informar sem obrigar
Dayse Hálima

Criacionismo e evolucionismo. Duas propostas que se contradizem no que diz respeito à origem do homem. A primeira acredita que o mundo, de acordo com os relatos bíblicos, foi criado em sete dias por um ser superior. A segunda foi adotada pela ciência e propõe que a vida no planeta tenha surgido há bilhões de anos por causa de uma explosão e tudo que se vê hoje é resultado de mutações.

Como tudo na vida, as discussões, debates e idéias entre os estudiosos das duas teorias também são noticiadas na mídia. E até aí não existe erro. O problema começa quando mídia confunde seu papel de informar e adota uma característica de parcialidade. E escancara o que pensa, o que acha ou o que quer. E impõe suas idéias.

Nem telejornais, nem revistas, nem jornais diários, nem os sites estão livres de erros. Agora suplantar a opinião de seu espectador, ouvinte e leitor é preocupante.

Em março de 2000, o Grupo Estado lança o site Estadão.com.br. O site tem um layout claro e limpo. O conteúdo é de fácil acesso. São 10 editorias, e dentro de cada uma, outras divisões fáceis de serem localizadas. Além da seção de fotos, podcasts, vídeos, blogs e especiais.

Uma das editorias é a “Vida” – e uma das suas divisões é o caderno “Ciência”. Descobertas dos cientistas, novas teorias e idéias são expostas neste caderno. Tudo o que acontece no mundo da ciência é apresentado ali através de notas ou reportagens. Por ser conteúdo de internet, os textos são sucintos, pequenos e por vezes superficiais, mas trazem a notícia.

Mesmo usando um conteúdo resumido, o site não deixa de prestar o serviço da informação. Noticiou lançamentos de livros, concílios, pesquisas e presta devida homenagem a Charles Darwin. "Devemos considerar, sem nenhum risco de erro, que a publicação da Origem das Espécies foi um grande marco na ciência”, site Estadão.com.br, 13 de janeiro de 2001.

Em uma matéria do dia 3 de julho de 2006, que tratava da obrigatoriedade das aulas de religião nas escolas municipais, no entanto, o site deixa entender que o aluno não é obrigado a aceitar a religião que lhe é apresentada em sala de aula. E de fato o aluno não é. Mas deixou de citar que ele (o aluno) também não precisa aceitar que lhe seja enfiado na cabeça que a teoria de Darwin é a verdade absoluta e incontestável. Não existe essa de “prioridade” em sala de aula. Se vai ensinar; mostre os dois lados. Apresente as duas teorias.

Em um dos blogs sustentados pelo Estadão, no post de 17 de julho 2007, se encontra o seguinte: “Seria curioso, se não fosse triste, saber que vários estados americanos, em pleno século 21, tentam substituir o ensino da teoria da evolução de Darwin pelo criacionismo (Bíblia) nas aulas de ciências”. Logo, diz que o criacionismo é errado, retrógado e desnecessário ao aprendizado. Não é essa a idéia. Substituir está longe de ser a melhor opção. Criar alternativas de aprendizado, sem abandonar as que já são comuns é o caminho para o aprendizado completo.

A questão não é dizer qual é a teoria certa ou a teoria errada. A questão é o que realmente dever ser feito pela mídia. E isso já foi mais que dito. Mídia, mídia... Sua função é informar, e suas informações levarem seus "clientes" a escolha. Mas que estes, tenham liberdade para escolher. Não imponha, não obrigue, não force. Dê as ferramentas para que opiniões sejam formadas. Opiniões prontas, dadas ao público como regra, são deveras desnecessárias.