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O marrom no gramado |
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| Matheus Siqueira | |||||||
O primeiro dia do último ano do século XX foi especial. Nesse dia começa a história do Neuman Futebol Clube, único time que se tem notícia que ostenta no seu brasão e uniforme a cor marrom. Com cinco titulares e três reservas, o time de Piracicaba nasce da amizade de oito colegas. O nome surge com Matheus Zem Parolina, 25 anos, pivô do time, que se inspirou no personagem Alfred E. Neuman, mascote da polêmica revista norte-americana MAD. A escolha das cores leva mais tempo. Procurando-se algo pouco usado nos times de futebol, acabam escolhendo o marrom e branco, que expressa bem o espírito da equipe. Classificado no Grupo B do campeonato I Copa Escuna de Futsal 2001, evento que reuniu seis times de todos os cantos de Piracicaba, o Neuman F.C. perde as semifinais para S.E. Laranja Mecânica de 3 a 1. De acordo com René-Lucien Rousseau, a perda pode ser explicada, talvez, pela escolha da cor, o marrom. Como teoriza no seu livro A linguagem das Cores, marrom é signo de luto, de morte e degradação. René compara o marrom às significâncias do preto e do vermelho, duas cores que podem formar o marrom. Porém, se há semelhança entre o marrom, vermelho e preto, no futebol não ocorre exatamente isso. À parte da bola de futebol utilizada até meados de 1960, que era marrom, pouco se viu dessa cor nos gramados, enquanto as cores alvinegras e rubro-negras são estampadas nos uniformes de vários times. A personal stylist Ellen Baraldi, ao falar do uso de roupas marrons, explica que essa cor não passa segurança e credibilidade. Complementa se referindo ao Japão, onde a utilização da cor marrom é sinônimo de falta de poder. Além da sociedade japonesa, percebemos a conotação negativa do marrom em outras culturas. No egípcio, o marrom era a cor de Tífon, o acusador de almas de Osíris. No livro History of Colors, Hermann assegura que os senhores cruéis tinham predileção pela cor marrom. Já na Umbanda, o marrom é a cor de Xangô, orixá responsável pela justiça, recompensando ou punindo os seres humanos. Essas imagens permeiam a mentalidade coletiva. Seja por arquétipos ou por consciência coletiva, o marrom é uma cor desagradável para maioria, pois relembra o podre, o estragado, o degenerado, o excremento. Se há uma falta de marrom nos times de futebol, é porque a aceitação dessa cor é pouca. E ainda, já basta o marrom do barro que eles terão que enfrentar nos campos precários. |
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