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Faz parte do folclore

Ariel Cahen

Misticismo é tão comum no esporte, que chega a fazer parte do folclore, do espetáculo... Quem nunca ouviu falar no ‘peso da camisa canarinho’, na ‘responsabilidade de vestir a camisa de número 10’, na ‘perigosa curva Tamburello do circuito de Imola, na Itália’?

A cobertura do Globo Esporte não é diferente. É quase que uma regra o uso de sonoras que atribuam ao divino jogadas decisivas; imagens que tornem possível um texto mais solto e, que de maneira criativa, ligue uma crença ou uma curiosidade ao resultado de uma competição.

Os predestinados

No dia 4 de maio, por exemplo, foi ao ar uma reportagem sobre a conquista do título carioca pelo Flamengo. Obina, atacante do time rubro-negro, marcou dois gols na final contra o Botafogo, no Maracanã. “Quem sabe não estava escrito?”, brincou o repórter, fazendo referência às placas levantadas pelos torcedores com o nome do atacante.

“É o título dos atacantes predestinados”, ele afirmou ao encerrar a matéria.

O iluminado

Outro caso - mais recente - foi o do “iluminado” Washington, atacante do Fluminense. Segundo a reportagem exibida no Globo Esporte do dia 22 de maio, o atacante tricolor vinha tendo um aproveitamento excelente esse ano, com treze gols marcados, mas não marcava há 59 dias – ou oito jogos.

Washington desencantou. Marcou dois gols na vitória do Fluminense sobre o São Paulo pelas quartas de final da ‘Libertadores da América’. Nem poderia ser diferente. “Deus estava guardando alguma coisa pra mim”, desabafou o atacante pó-de-arroz depois do apito final. “Parece apelativo, mas não é”, completou o repórter.
Como se não bastasse, a edição exibiu, por duas vezes, a sonora em que o atacante afirmava estar ‘iluminado’ - uma no início da matéria e outra no encerramento do programa.

Se é possível que alguém entre em campo predestinado a vencer, ou que alguma força superior esteja envolvida em eventos esportivos – ou de outra natureza qualquer – não sabemos, mas que faz parte do show... Ah, faz...