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| Pra não dizerem que não falei do assunto... |
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Antes de começar o texto propriamente dito, farei breves comentários que, a meu ver, não devem se misturar com os apartes a respeito da questão discutida em nossa última edição. Um assunto complexo a ser tratado com a maior seriedade e mente aberta, coisa que a maioria não consegue fazer. Nossos articulistas foram muito felizes ao tratarem o tema. Os textos dessa edição, numa análise geral, foram bons. Saliento somente aqueles velhos pontos tão explorados por mim. É preciso pesquisar o assunto gente. Conhecer o tema sobre o qual se quer escrever. Senão recaímos no velho blábláblá entediante. Também rogo pelo cuidado no emprego dos termos. Usar as palavras conhecendo seu significado. De outra forma, o período fica sem sentido. Busquem ser objetivos. Eu prezo a construção elaborada, mas prezo ainda mais a inteligibilidade do autor. Quero comentar algo que me incomodou fortemente. Caros, todos os meios de comunicação pregam sua imparcialidade. Todos alardeiam a intenção de divulgar apenas os fatos limpos deixando que o leitor forme sua opinião a respeito do assunto. Mas isso é pura embromação. Ser imparcial, infelizmente, é impossível. Por isso, quando analisamos a postura do periódico não levamos em consideração o que ele declara de si mesmo, mas aquilo que lemos, vemos, ouvimos dele. Sua imparcialidade está na postura que assume ao explorar o assunto. Dá voz a todos os envolvidos? Puxa sardinha para algum lado? Equilibra as declarações dos especialistas? De que serve escrever “cada um pense o que quiser” ao fim de um texto se toda a escrita favoreceu apenas um lado da questão discutida? O leitor, para “formar sua opinião” terá apenas a versão de um dos lados. Isso é ser imparcial? Minha gente, menos ingenuidade!!! Quero parabenizar os textos “Verdades Inconvenientes”, “Religião a Nature” e “E disse: haja Darwin!” pela excelente análise e condução da escrita. Os textos “Filhos do divino ou do acaso”, “Um diálogo honesto” e “Leitura improvável” pela ótima exploração do tema e boa escrita. Também as duas entrevistas que foram interessantes, instigadoras de reflexão. O texto “O que aconteceria se um geneticista brasileiro criasse mutantes” usou um humor fascinante. Agora, passemos para a segunda parte desta coluna. O tema discutido na ultima edição realmente me irrita muitíssimo. (Não que isso seja difícil, dirão os que me conhecem!). Mas de qualquer forma, me irrito e quero apresentar a vocês os motivos de tanto incômodo. Gente que gosta de opinar sem conhecer o assunto me estressa desde sempre. E o que mais vejo quando se coloca em pauta o tema “Criacionismo x Evolucionismo”, é gente falando de coisas das quais não tem a menor idéia. Vejam bem, faz algum tempo um amigo, o jornalista Márcio Tonetti, entrevistou a então ministra Marina Silva para certo blog. Assunto discutido: criacionismo. No outro dia a mídia estava queimando em praça pública a digníssima ministra. Um dos incendiários mais ferrenhos foi o jornalista Marcelo Leite, que em seu blog começou uma discussão incontrolável. Eu, é claro, não me abstive de fazer alguns comentários na dita página. As coisas que li ali, minha gente, poderiam arrepiar os cabelos de um careca. Nunca vi tamanha barbaridade. Ignorância em estado bruto. Mas já não me assusto. A internet está infestada deste tipo de conteúdo. Gente criticando o criacionismo sem ao menos conhecer seus argumentos. Esses são maioria. Mas vamos deixar algumas coisas bem claras aqui. Evolucionismo não é sinônimo de excelência científica, tampouco criacionismo é sinônimo de religião. Ambos são apenas teorias, com argumentos questionáveis, que procuram explicar a origem da vida e do universo. Ambos tem problemas de comprovação. E faço coro aqui, ao respeitadíssimo Dr. Ruy Vieira quando afirma que tanto evolucionismo quanto criacionismo carecem de pureza científica. A ciência pressupõe observação e experimentação e nenhuma das duas vertentes pode ser submetida à prova da hipótese. O que acontece nesse mundo é que, embora sendo apenas uma teoria (ainda por cima mal explicada), a evolução assumiu status de lei, de verdade incontestável. Isso precisa ser desmentido! A evolução tem milhares de lacunas que a comunidade científica prefere, convenientemente, jogar para escanteio. Para coroar a situação, a população assume a teoria como verdade e nem busca estudar a fundo seus verdadeiros argumentos. Desconhecendo as bases da idéia em que acredita, acaba atacando ferozmente aos criacionistas. Estes, muitas vezes, também desconhecem na profundidade os argumentos de sua vertente. Na hora da discussão apelam unicamente à religião. Isso descaracteriza a seriedade da teoria criacionista produzindo um sofisma amplamente alegado pelos opositores. Criacionismo se vale apenas do credo religioso. Ledo engano. Ao fim, esse desconhecimento dos fatos produz constatações simplórias, discussão pobre. Que posso dizer aos “tão esclarecidos” defensores da teoria evolucionista? Será que sabem que muitas das incomparáveis mentes científicas pertenceram a criacionistas confessos? Pascal, Kepler, Pasteur, Galilei, Newton, todos comprovam que é possível harmonizar perfeitamente ciência e religião. A maior parte da obra de Newton, por exemplo, tem teor teológico. Agora pergunto: alguém aqui vai apedrejar o Newton porque era criacionista? Quer tiver coragem que atire a primeira pedra. E depois não querem que eu me irrite com tanta falta de senso e conhecimento? A ignorância a respeito do assunto é tamanha que há até quem afirme ser crime ensinar criacionismo. Crime minha gente, é acorrentar a mente do povo a uma idéia que nem de longe se respalda de comprovação científica. Crime é pregar como única, uma teoria que tem mais lacunas que argumentos. Crime é atacar alguém nos meios de comunicação simplesmente por ter opinião diversa ao do manipulado senso comum. Concordo com o jornalista Michelson Borges quando afirma que se a população tivesse acesso à informação sólida e confiável perceberia que o criacionismo é coerente, absolutamente plausível. Minha bandeira é a da liberdade de pensamento. Evolucionismo e criacionismo estão no mesmíssimo patamar. Meras teorias e seus argumentos. Ou melhor, os criacionistas estão ganhando, porque não ficam tentando impor sua teoria como única opção possível a ninguém, tampouco queimam em praça pública os que não compartilham de sua opinião sobre o assunto. Isso prova que tem a mente mais aberta. Há muito que a sociedade prega e respeita a liberdade de pensamento. Ao evolucionista que se irritar com o que leu e achar o cúmulo do absurdo eu ter escrito isso, só tenho uma coisa a dizer: me processe!!!! |
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