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Meta alcançada
Patrícia Ferreira
Direta, suave, curta, longa, dura e irônica. Foram diversas as formas de escrita utilizadas na Editoria Canal Cult em seus seis anos de existência. Mas todas objetivavam abranger a capacidade de reflexão crítica do leitor através dos temas tratados na revista. A crítica de livros de comunicação auxilia na formação de opinião e ajuda a suprir as necessidades de compreensão da sociedade. A resenha crítica sobre uma obra ajuda o leitor a não apenas aceitar o que está escrito, mas a questionar.

Logo na terceira edição a revista analisa o livro Caso Escola Base - Os Abusos da Imprensa, de Alex Ribeiro. Muito longe de criticar, o uso de palavras ríspidas e de efeito moral negativo fazem com que permaneça a idéia do criticado. “É bom lembrar que além de sórdido tem que ser muito retardado para achar que é jornalismo o que fazem. Tem que ser muito medíocre para pensar que destruir a honra de várias famílias em nome da notícia é jornalismo”. “O estranho é que esses mesmos imbecis que destroem a vida alheia não têm a menor vergonha - ingenuidade minha (palavra desnecessária) querer que tenham - de falar que são jornalistas. São é (desnecessário)  assassinos , psicopatas , sem-vergonhas , que nada de útil acrescentam à sociedade e que nem mereciam ser considerados por esta.”

Por mais que o sensacionalismo seja uma prática realmente errada e desumana, palavras desse nível causam espanto e aversão ao leitor e não reflexão. Na mesma crítica ainda encontra-se boas frases que contribuem para o senso crítico do leitor: “A leitura desta obra enoja os seres comprometidos com jornalismo de verdade e que sofrem as conseqüências de maus profissionais.”

Nota-se que a palavra “enoja” é pesada e poderia ser substituída por envergonha.

O livro Pragmática do Jornalismo, de Manuel Carlos Chaparro (Editora Summus; 136 páginas) foi bem analisado, no entanto palavras difíceis tiram a objetividade e a simplicidade do texto, tornando-o monótono. O texto foi escrito de forma extremamente culta e entende-se que o aprofundamento da leitura traz ao leitor um bom aproveitamento da crítica. Palavras como “benquistos, incongruências, práxis, minúcias...” podem levar o leitor a pesquisar o que elas significam. Neste texto uma frase extremamente criativa e bem-escrita merece destaque: “Após envolver-se com a obra, resta ao leitor de jornais a surpresa desagradável de descobrir que a menina de seus olhos é uma legítima Lolita.”

A análise sobre o livro A Nova Mídia - A Comunicação de Massa na Era da Informação, de Wilson Dizard Jr. (Jorge Zahar Editor; 2000; 324 páginas), não prende a atenção do leitor. Ao confirmar apenas o que o autor escreve, não é considerada resenha crítica.

Já o premiado livro Rota 66 - A História da Polícia que Mata, de Caco Barcellos. (Record, 2003; 352 páginas) foi retratado com texto preciso e consegue ir a fundo na notícia. Mostra que houve uma boa leitura crítica.

Caracterizada pela boa escrita, a obra Pica-Pau - Herói ou vilão?, de Elza Dias Pacheco (Loyola; 1985; 255 páginas), faz o leitor realmente pensar e analisar o desenho animado Pica-pau. Este texto faz com que os pais se conscientizem de forma criativa e reflexiva os malefícios do desenho.

Na crítica do livro Formação Superior do Jornalista - Uma Exigência que Interessa à Sociedade, org. Fenaj (UFSC; 2002; 137 páginas ). De uma forma irônica e bem-argumentada o articulista debate com “unhas e dentes” seu ponto de vista, escrito em forma de protesto e direcionado à autoridades: “O resenhista supracitado vem por meio desta, em nome da verdade e da autoridade que lhe foram concedidas, expor a repulsa em formato de livro, a saber, Formação Superior do Jornalista, por parte da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) à liminar da juíza Carla Abrantkoski Rister, da 16.ª Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo, quanto à obrigatoriedade da formação superior do jornalista para a obtenção de registro profissional e livre ingresso no mercado de trabalho.”

A Sangue Frio, de Truman Capote (Companhia das Letras; 2003; 440 páginas), um marco histórico no jornalismo literário, teve uma crítica  bem fundamentada. A Divisão em tópicos auxiliou o entendimento da crítica. a análise do livro Área de Segurança Gorazde: A guerra na Bósnia Oriental 1992-1995, de Joe Sacco; (Editora Conrad), resgatou a história da Bósnia Oriental e também foi dividida em tópicos.

Da primeira à mais recente edição, nota-se a qualidade da escrita na maioria das resenhas apresentadas. Enumerar a melhor seria quase impossível. Muitas foram as qualidades e poucos os defeitos, mais ainda assim existentes. Destaque para as resenhas com título: Tribuna da imprensa, Veredicto de uma ave antropomórfica, Sonho e realidade de mãos dadas, Perseguição contínua.

Desde 2001 o Canal Cult livros, auxilia na visão crítica de seus leitores, porém dizer que não possui erros é condizer com o verdadeiro jornalismo. Erros de acentuação, de concordância verbal, de digitação foram encontrados no decorrer da análise. Contudo o objetivo da editoria foi alcançado. Cerca de cem livros foram analisados em seis anos. Contando com material de apoio como imagens e links, o Canal Cult Livros é parabenizado realmente pelo trabalho realizado.