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Deslizes, desafios e destaques

Priscilla Stehling
Uma revista de crítica de mídia não poderia deixar de falar da mídia mais tradicional, a impressa. Essa tem sido objeto de estudo para muitos, dado as dificuldades que encontrou com o surgimento de mídias mais abrangentes como a TV e a internet. O número de leitores de jornais online cresce a cada dia, ficando atrás apenas da TV, que atinge um público infinitamente maior que a web . Imagine então a TV comparada ao impresso! Ainda assim, os jornais de papel atingem milhões de pessoas em todo o Brasil. O Instituto Verificador de Circulação constatou que somente os três principais jornais do Brasil são responsáveis por circular cerca de um milhão de exemplares.

Mas, o que tem sido impresso nesses papéis? Os textos fazem valer a pena tanta fidelidade do leitor? A antiga editoria Imprensa em Foco se preocupava em responder questões como essas. Mas como eram feitas essas críticas? Esses textos analíticos foram realmente convincentes? Apresentaram argumentos embasados e coerentes?

Embora todos os textos tenham respeitado bastante a linha editorial do Canal , algumas falhas foram cometidas nessa editoria em 2002. Erros como dificuldade em organizar bem as idéias. Um exemplo foi o texto de Daniel Liidtke , “A última flor da Imprensa ” da edição de 02 de outubro.

“Durante a sua história de quinze anos, a Revista Imprensa tem-se mostrado como padrão para o jornalismo brasileiro. Embora siga a norma culta da língua, este veículo perdeu, nos últimos anos, o domínio sobre a sua principal ferramenta de trabalho: o português”.

Uma revista que esteja cheia de gafes jornalísticas não poderia ser classificada como padrão. Uma maneira mais clara de transmitir a idéia talvez fosse dizer que ela é considerada padrão por muitos, mas que não deveria ser.

Indefinição quanto ao estilo de escrita também foi um problema apresentado. O autor de “Caras- Fofoca de Alto Nível”, Marden Ferreira, mostrou-se confuso. Ele começou o texto na primeira pessoa (o que não é recomendado) com verbos como “considero, percebi, acredito”. Da metade do texto para o final preferiu isentar-se.

Os artigos em geral mostraram falta de criatividade no tratamento das idéias, principalmente na conclusão. O texto do exemplo citado acima terminou com o famoso “cabe a nós [...]”. Dizer o que é preciso para mudar a situação para melhor não é a forma ideal de se concluir.

Dentre todos os artigos publicados na editoria Imprensa em Foco em 2002, o primeiro parece estar com mais problemas. A leitura não flui. Parece que o autor, Leandro Oliveira, estava somente respondendo uma série de perguntas a ele atribuídas sobre freelancers . O raciocínio não tem seqüência interessante, e, portanto não prende a atenção do leitor. Coincidência ou não, Oliveira não voltou a contribuir nessa editoria até o final do ano. Mas não só os repórteres cometeram alguns deslizes. Os textos da editoria Imprensa em foco da edição Urna dos Artistas de 30 de outubro de 2002, não estão disponíveis.

Destaques

Esses “erros” não desvalidam os muitos “acertos”. Contratempos à parte, ao que parece, em 2002 o Canal da Imprensa contou com uma equipe de estudantes bastante profissionais.

Um dos principais objetivos da editoria foi muito bem cumprido pelo articulista Alex Gonsalves no texto “ Folha Canhota”. Objetivo este de fazer com que o leitor desenvolva senso crítico. Ao analisar o posicionamento político da Folha de S.Paulo ele expõe argumentos e exemplos diversos que comprovam que o jornal é esquerdista. Avaliou fotos, chamadas, títulos e até mesmo as entrelinhas das reportagens para chegar à conclusão citada a seguir que, vale ressaltar, foi muito bem escrita.

“Numa cobertura de eleições, onde se prima pelo discurso, pela neutralidade e/ou imparcialidade dos veículos de comunicação, a prática é justamente o contrário. O que se desenvolve são técnicas para disfarçar os posicionamentos. Essas são tão estruturadas que muitas vezes se tornam verdadeiras obras de arte, tamanho o talento dos artistas-editores em camuflar a ideologia”.

Se diferentes características num texto podem prender a atenção do leitor, as de Fabiana Amaral foram fluência, palavras simples e frases bem elaboradas. Diogo Cavalcante optou por dar fundamento a seus argumentos. Por outro lado Daniel Liidtke se preocupou em ser criativo brincando com as palavras. “Na edição especial de 13 anos, a Imprensa presenteou os leitores com o seguinte título em um dos artigos: ‘Eu nunca processaría o Estadão '. Mas no meu caso, eu processaria (sem acento no ‘i') a revista por este atentado à língua”, escreveu no artigo “A última Flor da Imprensa” de 02 de outubro.

Alguns mais criativos outros menos. Alguns mais argumentativos outros menos. Não importa. O que vale mesmo é que ao longo desses anos, os textos do Canal têm gerado resultados, e muitos. Para a sociedade sim, com certeza. Mas principalmente para nós articulistas. A crítica provoca mudança, aprendizado, crescimento. Sobre este artigo: que venham as críticas!