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Peripécias veteranas
Cristiane Lüscher e Suellen Timm
 
Passam as formaturas e a Redação se renova. Assim também foi com o Canal da Imprensa nesses afortunados seis anos de alfinetadas. A “velha guarda” da casa passou por bons bocados para arquitetar o Canal que se conhece hoje. Dentre esses, o excelentíssimo ex-editor Fernando Torres, que atuou na revista por quase dois anos. Após se graduar em 2004 no Unasp, ele trabalhou como repórter e editor de várias revistas em Maringá, PR. Atualmente trabalha na editora Casa Publicadora Brasileira (CPB) como editor-assistente das revistas Nosso Amiguinho e Conexão.

Canal da imprensa - Faz idéia de quantos textos já escreveu para o Canal? Desses, qual foi o que mais gostou e por quê?

Fernando Torres - Acredito que devem ter sido uns 40 textos. Destes, gosto de “O grande pecado da imprensa” (3.ª edição), “Minhas costelas doem” (10.ª), “Admirável Comunicação do Mundo Novo” (15.ª), “Chá das seis” (16.ª), "Brava imprensa, a brasileira?” (18.ª), “A novela nossa de cada dia” (19.ª).

CI - Fale um pouco sobre o seu período como editor-assistente do Canal. Quanto tempo ficou no cargo? Quais eram as suas responsabilidades?

Fernando - Fiquei pouco mais de um ano e meio no cargo, de agosto de 2002 a março de 2004, na função de editor-chefe (naquela época, a atual função de editor-assistente).

CI - Como funcionavam os fechamentos de edição? Tem alguma curiosidade sobre esses momentos de aperto?

Fernando - Os articulistas mandavam o texto uma semana antes do fechamento. A equipe de editores ficava encarregada de editar os textos neste período. Depois, eu postava os textos na página e, finalmente, atualizava. Havia também a preocupação com a arte e imagem de capa.

CI - Qual foi o maior sufoco que passou à frente da revista?

Fernando - Foram vários... Mas lembro-me de um em especial, quando, na antiga Redação, que funcionava no prédio do ensino superior, a classe do terceiro ano precisou assistir algumas aulas na mesma sala em que funcionava a agência. Isso no dia de fechamento da 2.ª edição. Foi um apuro e tanto. Além disso, muitas vezes ficamos trancados dentro do prédio, tendo que pular o muro, ou, então, chamar um monitor.

CI - Explique um pouco sobre a dinamicidade do Canal da Imprensa. Como eram elaboradas as pautas para explorar o máximo desse benefício que o veículo possui?

Fernando - Em geral, eu sugeria três temas de pauta, que eram escolhidos por votação entre o grupo de editores, uns 7 ou 8 alunos, e o professor Ruben. Depois, os editores sugeriam pautas para suas editorias e indicavam qual aluno/articulista poderia escrever.

CI - Quais foram os progressos que observou no Canal desde a época em que foi editor até o momento?

Fernando - Acho que o principal progresso é visual. A qualidade do site é incomparavelmente superior (considerando que aquele projeto era bom para aquela época, só não funcionaria mais hoje). Quanto aos textos, é difícil comparar. É claro que os alunos evoluíram, mas também se formaram e saíram do Canal. As novas equipes obviamente têm que ser buriladas e, quando estão prontas, também se formam. É um ciclo, portanto. Por isso, acredito que a equipe atual não difere muito da nossa época, com suas singularidades, obviamente.

CI - Descreva a equipe que trabalhou com você no Canal. Como escolhiam os articulistas?

Fernando - Pessoas-chave: Vanessa Candia, Sergio Telles, Daniel Liidtke, Fabiana Bertotti (que assinava Fabiana Amaral). A equipe de editores – da qual participavam outros nomes, além destes - escolhia os articulistas de acordo com o perfil, qualidade de texto, essas coisas. Algo bem subjetivo mesmo.

CI - De que forma sua participação contribuiu para a sua formação profissional? O trabalho na redação do Canal pode ser considerado profissional, apesar da natureza acadêmica?

Fernando - O Canal me deu a base para editar uma revista. Mas, hoje, olhando de fora, acredito que o trabalho não pode ser considerado 100% profissional, apesar de fundamental na formação dos alunos da minha época. Não tem jeito: o jornalismo tem particularidades que só podem experimentadas com a experiência no mercado. Mas isso não desqualifica as virtudes do Canal, nem o invalidam como um media criticism acadêmico.

CI - Como você avalia o desempenho do Canal durante o período em que atuou?

Fernando - Sem dúvida, falhamos em muitas oportunidades. Mas acredito que a equipe se empenhou para que o Canal atingisse o máximo de excelência que poderia alcançar naquele momento.