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Bem ou mal, falem de mim
Patrícia Matter
Discutir, cutucar, criticar, elogiar. Os verbos são muitos, mas definem as funções da Editoria Radioescuta que participou poucas vezes das edições do Canal da Imprensa , mas que, quando apareceu, teve presença marcante e criticou com precisão as tendências do rádio brasileiro. O rádio começou tímido, transitou entre entretenimento e utilidade pública, e cresceu como um veículo de informação por meio do radiojornalismo.

A credibilidade veio aos poucos, na medida em que outras invenções bem mais modernas como a televisão e a internet apareciam. No início elas impressionaram e até furtaram a audiência do bom e velho rádio, mas não durou muito. O tempo devolveu a credibilidade por meio da praticidade que ele oferecia e os espectadores descobriram que ele pode ser ouvido enquanto outras tarefas são executadas. Aos poucos, o público constatou que o espetáculo de imagens da tevê não era prático e gastava um tempo considerável desde a captura das imagens até transmitir as informações. Depois veio a internet, e o medo relacionado à concorrência cresceu. No entanto, a internet muito longe de abalar o rádio, colaborou com ele, tornando-se um meio de interação com o ouvinte e o veículo, expandindo o alcance das ondas através da rádio online. Com as novas descobertas, a “caixinha falante” de Landell de Moura, o inventor do rádio, permaneceu.

As críticas

Em seis anos, articulistas como Fabiana Bertotti (Amaral) descreveram a trajetória e elogiaram o desenvolvimento do rádio, cujo início era o companheiro de dicas para as donas de casa e dos fiéis torcedores do futebol.

A Editoria de Radioescuta soube apontar com precisão os momentos em que as ondas sonoras transmitiram as informações “sem maquiagens”. Soube também dar aquele puxão de orelha merecido nos casos de descuido, como foi feito na última edição, escrita pela articulista Ísis Ribeiro, que criticou a CBN na brevidade dos noticiários internacionais, nas deficiências relacionadas às fontes, e em relação à avalanche de notícias sensacionalistas transmitidas pela rádio.

Transparência, simplicidade, compromisso com o ouvinte. A Rádio CBN foi a campeã em elogios em todos os artigos da editoria. O repórter Leandro de Oliveira comenta em seu artigo a ausência de tendenciosidade da rádio, principalmente nas épocas de campanhas eleitorais (época em que os veículos costumam cada qual puxar brasa para seu assado).

Elogios não fazem mal, porém para um repórter dar opiniões sem análises profundas do assunto, defendendo de unhas e dentes sua causa, pode transferir para si a tendenciosidade. Segundo comentário de Pedro Ceto, que foi publicado no site Observatório da Imprensa por ocasião das eleições presidenciais em 2002, quando José Serra e Lula disputavam o segundo turno, o comentarista da CBN Arnaldo Jabor andou fazendo críticas que beneficiavam a imagem do então candidato José Serra. As famosas “Jaboradas”. Na época, Jabor teria comentado que “ somente Serra teria maioria parlamentar para as reformas que o Brasil tanto precisa".

Criticar vai muito além de analisar. Fora as exceções, os articulistas da Editoria Radioescuta demonstraram um bom desempenho na missão que já cumpriram. Cabe aos que ficam a responsabilidade de continuar com o objetivo sênior do veículo: apontar os erros dos responsáveis pela opinião pública.